Reprodução em cativeiro

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Quando falamos sobre um animal ou planta em cativeiro, nos referimos a ele estar em um espaço físico sem liberdade, em condições artificias, controlado por humanos. Como exemplo, temos os jardins zoológicos, mantenedores e criadouros de fauna, os aquários, os jardins botânicos, bancos de sementes, etc.

Os jardins botânicos mantêm coleções vivas e exsicatas (exemplares não vivos, que mantém características das plantas), muito importante para identificação de espécies e informações de plantas ameaçadas. Algumas instituições chegaram a criar banco de sementes, que são coleções com grande potencial nos esforços de conservação.

Colecionadores de animais, com intuito de entretenimento, aparecem há séculos na história da humanidade. Há registros no Egito Antigo e na China de homens que usavam as coleções para ostentar um tipo de poder. Só na era Moderna os Zoológicos passaram a ser centros de pesquisa e apesar do objetivo principal ser a exposição de animais, hoje, eles podem ser grandes aliados à conservação.

Objetivo

A reprodução em cativeiro pode manter as coleções vivas, sem a necessidade de retirar nenhum indivíduo da natureza. Por isso, há trocas de indivíduos entre instituições do mundo todo.

Ter coleções de animais e plantas ex situ, pode ser uma importante estratégia para conservação de espécies. Em países tropicais, com tamanha diversidade, como o Brasil, há poucos estudos sobre todas as espécies na natureza e ter uma espécie em cativeiro é uma forma de fazer pesquisas diversas. Entendendo sobre o manejo, dados nutricionais, genética, etc. A conservação ex situ é uma ferramenta poderosa para evitar a extinção de espécies e ela é complementar à conservação in situ.

O objetivo maior da reprodução em cativeiro é manter populações cativas viáveis. Para isso, muitas técnicas têm sido desenvolvidas com o intuito de aumento das taxas reprodutivas, evitando acasalamento entre parentes próximos, para não gerar deriva genética e depressão endogâmica. Dentre elas, podemos ter a inseminação artificial, adoção cruzada, incubação artificial de ovos, transferência de embriões, entre outras.

Conservação

Da mesma forma, o conhecimento adquirido por criadores profissionais legalizados, aquários, e outras entidades, pode contribuir com a conservação. Os programas de reprodução em cativeiro de espécies ameaçadas podem ser realizados por Zoológicos, Criadouros Científicos de Fauna Silvestre, Centros de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) e Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS).

Um exemplo clássico da literatura e um dos mais antigos é o da espécie Elaphurus davidianus, Cervo de Père David, que foi extinta na natureza e voltou a ter uma população viável depois da reprodução com 12 animais sobreviventes, em cativeiro. Existem vários outros casos pelo mundo, como Furão de Pés Negros, Bisão Europeu, Órix da Arábia, etc. No Brasil, o projeto mais antigo é o programa internacional para reprodução em cativeiro do mico leão dourado, em 1972, para reintrodução em locais onde haviam sido extintos. Em 1984 foram reintroduzidos os primeiros indivíduos e em 2008 a população já estava acima de 1500 animais.

Cervo de Père David (Elaphurus davidianus). Foto: Sandra Standbridge / Shutterstock.com

Hoje, no país existem os Planos de Ações Nacionais para a Conservação de Espécies Ameaçadas, que podem pedir a reprodução em cativeiro, como parte do programa. Um desses planos é para o Mutum do Nordeste (Pauxi mitu), que é uma ave extinta na natureza e chegou a ter apenas 4 indivíduos em cativeiro. Graças à reprodução em cativeiro, hoje existe mais de uma centena de animais que estão sendo manejados para o desenvolvimento de uma população viável e futura reintrodução.

Temos o caso da Jacutinga (Aburria jacutinga), também extinta em várias áreas de ocorrência de Mata atlântica. SAVE Brasil iniciou em 2010 o Programa para a Conservação das Aves Cinegéticas na Mata Atlântica – Projeto Jacutinga, que já apresenta reintrodução bem-sucedida de indivíduos reproduzidos em cativeiros.

Outro caso que levanta a bandeira para a conservação da biodiversidade é o Projeto Ararinha na Natureza, que pretende devolver à natureza a espécie ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), a qual tem seus últimos exemplares apenas em cativeiro. Com estudo genético e manejo correto, a reprodução ex situ pode levar à reintrodução desta espécie em seu habitat natural.

Referência:

PRIMACK, Richard; RODRIGUES, Efraim. Biologia da Conservação. Londrina: E. Rodrigues, 2001.

PIRATELLI, A. J; FRANCISCO, M. R. (org), Conservação da biodiversidade: dos conceitos às ações. Rio de Janeiro: Technical Books, 2013.

https://revistapesquisa.fapesp.br/2017/01/09/a-gaiola-que-salva/

http://www.savebrasil.org.br/jacutinga/

http://www.savebrasil.org.br/ararinha-na-natureza/

http://www.revistaea.org/pf.php?idartigo=1434

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Restauração ecológica

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Há processos naturais que podem acelerar ou causar impactos ambientais, como os vulcões, enchentes, tempestades, incêndio, etc. Mas a maior parte destes impactos vem das atividades humanas que degradam o ambiente e causam destruição de habitat. Com isso, conservacionistas vêm desenvolvendo estudos e práticas que podem levar um ecossistema a ter suas funções restauradas. A restauração ecológica é um processo em que há ação humana intencional, para o restabelecimento de um ecossistema que foi degradado ou destruído, com a meta de trazer a diversidade, estabelecendo comunidades.

Neste processo, o homem busca recuperar condições como vegetação, clima, flora, água, solo e micro-organismos, para imitar o que se tinha originalmente naquele local, melhorando e aumentando a integridade e saúde dele. Por exemplo, em áreas de mineração, para proteger o solo contra erosão; restauração de áreas ciliares aos rios, para evitar alagamentos, recuperar área de vegetação nativa, etc.

Então, o ponto de partida do planejamento da restauração é compreender, através de estudos, como era a composição daquele espaço e como funcionava, fazendo um mapeamento da história daquela paisagem, de como se iniciou e como foi alterada. Geralmente, ocorrem intervenções como reintrodução de espécies de flora e/ou fauna, remoção ou modificação de alguma perturbação.

Além de um estudo minucioso da fauna e da flora, engenheiros, biólogos e outros profissionais envolvidos com o projeto, precisam pensar no tempo de execução dele, nas fases, uma vez que é um processo a longo prazo; nos custos; na disposição de sementes; nos fertilizantes empregados; preparo do solo, limitações e oportunidades, condições culturais, controle de espécies exóticas, etc.

As estratégias são diferentes para as áreas, conforme o grau de degradação delas, vai mudar o tamanho e a densidade de mudas plantadas, por exemplo. Mudas pequenas, não toleram muito estresse que as áreas mais degradas oferecem. Respeita-se as sucessões ecológicas, lembrando que se inicia por plantas pioneiras e que espécies climácicas requerem condições que áreas com alto grau de degradação ainda não podem dar.

Os organismos que compõem a biota possuem funções ecológicas que contribuem para a dinâmica do ecossistema: Produtores primários, herbívoros, mesopredadores, grandes carnívoros, dispersores de sementes, colonizadores, polinizadores, decompositores, fixadores de nitrogênio. Esses são grupos funcionais estudados, que podem ser restabelecidos na área que está sendo restaurada, para estabelecer o equilíbrio.

O meio abiótico presente pode ser terrestre (solo ou substrato), atmosférico, aquático; condições como clima, tempo seco, ou chuvoso, umidade; e relevo também precisa ser levados em consideração. Apesar da restauração geralmente remeter à comunidade de plantas (por possuírem maior biomassa) terrestres, há restauração de comunidades aquáticas, como em lagos, por exemplo.

Uma parte importante na estratégia de restauração é integrar a população local, mostrando o papel cultural e educacional que a área restaurada pode ter na vida dessas pessoas. É um conceito de Restauração cultural, comum em países desenvolvidos, que faz uma interação com atividades culturais, de forma que haja ações humanas que reforcem a sustentabilidade da área restaurada e da sua saúde.

Sabemos que a recuperação e o manejo deram certo, quando o ecossistema é capaz de se manter desenvolvido, sem subsídio e intervenção humana. Alguns atributos básicos, podem nos guiar, para uma restauração bem-sucedida:

  • O ecossistema restaurado consiste de espécies nativas na sua maior parte, sendo que o conjunto de espécies é característico da estrutura de uma comunidade que foi referência;
  • A estabilidade continuada do ecossistema restaurado é garantida por populações reprodutivas, sustentadas pelo ambiente físico restaurado;
  • Desenvolvimento de todos os grupos funcionais;
  • O estágio ecológico não deve apresentar nenhum sinal de disfunção;
  • O ecossistema restaurado deve apresentar integração com a matriz, em sua volta (fluxo biótico e abiótico).
  • Estar seguro de que o ecossistema restaurado lida bem com potenciais ameaças da paisagem no entorno.
  • O ecossistema restaurado deve suportar qualquer evento de estresse que o ambiente possa propiciar, como poderia acontecer naturalmente.
  • A estrutura e funcionamento do ecossistema restaurado pode mudar durante seu desenvolvimento, mas ele precisa ser autossustentado, como sua referência.

Referências:

http://lerf.eco.br/img/publicacoes/2004_12%20Fundamentos%20de%20Restauracao.pdf

PRIMACK, Richard; RODRIGUES, Efraim. Biologia da Conservação. Londrina: E. Rodrigues, 2001

Eric S. Higgs 1997. What is Good Ecological Restoration? Conservation Biology 11(2):338

https://www.sobrestauracao.org/

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Animais dispersores

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Os animais frugívoros são aqueles que se alimentam de frutos, sem danificar a semente. Sendo assim, pelas suas fezes, conseguem dispersar as sementes da planta ingerida, que poderão germinar quando depositadas em local propício. Essa é uma interação ecológica, em que o animal dispersor se beneficia, com a energia adquirida através da alimentação e a planta se beneficia através da dispersão das suas sementes para locais mais propícios, com menos competição, o que aumenta as chances de sucesso de sobrevivência dela.

Interações fauna-flora

Ao longo de milhões de anos, os animais e as plantas desenvolveram interações harmoniosas, de forma a dependerem umas das outras para sobreviver e manterem o equilíbrio e manutenção das florestas.

Existem quatro tipos principais de dispersão de sementes: Zoocoria (realizada por animais); Anemocoria (dispersor é o vento); autocoria (a planta se auto dispersa, com a deiscência de sementes) e barocoria (usa da ação gravitacional). Acredita-se que 50 a 90% das árvores de florestas tropicais necessitam de animais para dispersar suas sementes. As cores, as características, como tamanho do fruto, são importantes para identificação do dispersor.

As aves compõem o principal grupo de animais dispersores. Foto: Paul S. Wolf / Shutterstock.com

Cada dispersão feita por um animal diferente, recebe um nome distinto:

  • Formigas - Mirmecocoria:
  • Peixes- Ictiocoria: É o primeiro grupo de vertebrados frugívoros da história de interação animais/plantas.
  • Répteis - Saurocoria: Os répteis foram um dos primeiros grupos a interagirem com as plantas. Lagartos e tartarugas são bons dispersores de sementes, destacando-se as famílias de lagarto: Varanidae, Gekkonidae, Iguanidae, Scincidae, Lacertidae e Teiidae. Estudos realizados mostram que jabutis são potenciais dispersores, uma vez que as sementes que passam pelo seu trato digestivo tiveram influência positiva na germinação.
  • Aves- Ornitocoria: São o grupo de animais mais importantes para dispersão de sementes, pela grande quantidade de espécies, pela capacidade de deslocamento e pela frequência com que se alimentam. Os frugívoros representam mais de 50% das famílias de aves do mundo. Na Mata Atlântica, tucanos, araçaris, jacus, jacutingas são aves maiores que contribuem para dispersam de sementes grandes, o que é muito importante para a manutenção das florestas.
  • Morcegos- Quiropterocoria: São animais com papel ecológico muito importante, contribuindo para a regeneração e sucessão secundária em áreas tropicais, uma vez que voam em clareiras e áreas de borda. As espécies frugívoras mais importantes para a Mata Atlântica são Artibeus lituratus, Carollia perspicillata e Sturnira lilium. E as plantas mais consumidas são as figueiras, embaúbas, juás e pimenteiras.
  • Mamíferos- Mamaliocoria: São muito importantes na dispersão de sementes maiores. Os primatas consomem os frutos das copas das árvores, como os bugios, macaco prego, muriquis;Os que se alimentam tanto de frutas que estão no chão, como nos galhos: marsupiais como cuícas e gambás, esquilos (que enterram sementes para comer depois e vão plantando na floresta); E os que se alimentam no chão: Anta, veados, cachorro do mato, cutia, que faz como os esquilos.

Plantas de sementes grandes, que as aves não conseguem engolir, são as mais ameaçadas, dependendo de mamíferos para dispersão. A anta e as cutias são os grandes dispersores de frutos grandes, como o Jatobá.

Homem- Antropocoria: Nós seres humanos somos dispersores, mas também os principais predadores e destruidores dos ecossistemas.

Conservação

Existe um equilíbrio na teia destes ecossistemas e o desmatamento, a caça predatória, fragmentação de habitat têm quebrado esses ciclos. Um animal como a jacutinga, que é um importante dispersor, faz falta para manutenção de florestas. Hoje, muitos estudos e esforços para conservação de espécies têm sido realizado, como a reintrodução de animais e replantio de plantas. No Pará existiam grandes castanhais e a dispersão do fruto que contém a castanha é feita apenas por cotias, por serem grandes e pesados. O extrativismo predatório da castanha na Amazônia pode levar ao fim de cutias e dos próprios castanhais.

Nós causamos desequilíbrios por vezes irreparáveis, mas precisamos mudar nossa postura urgente, conscientizando a população sobre suas ações e consequências. Já que as florestas não conseguem mais se auto sustentar, precisamos usar nosso conhecimento para intervir com manejo de vida silvestre, também.

Referências:

Castro, Everaldo Rodrigo de; Galetti, Mauro. Frugivoria e dispersão de sementes pelo lagarto teiú Tupinambis merianae (Reptilia: Teiidae). Papéis Avulsos de Zoologia (São Paulo). USP, v. 44, n. 6, p. 91-97, 2004. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/20491>.

RODRIGUES, Laís. Lautenschlager. Frugivoria e dispersão de sementes pelo Jabuti-Piranga Chelonoidis carbonaria. 2016. 46 f. Trabalho de conclusão de curso (Ecologia) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Instituto de Biociências (Campus de Rio Claro), 2016. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/156035>.

FADINI, R.F. & DE MARCO, P. 2004. Interações entre aves frugívoras e plantas em um fragmento de Mata Atlântica de Minas Gerais. Ararajuba 12(2):97-103.

Pizo, M.A. & GALETTI, M. 2010. Métodos e perspectivas do estudo da frugivoria e dispersão de sementes por aves. In Ornitologia e conservação: ciência aplicada, técnicas de pesquisa e levantamento (Accordi, I., Straube, F.C & Von Matter, S. orgs). Technical Books Rio de Janeiro, p. 492-504.

JORDANO, P. et al. Ligando frugivoria e dispersão de sementes à biologia da conservação. In: ROCHA, C. F. D. et al. (Eds.) Biologia da conservação: essências. São Carlos: Rima, 2006. p.411-436.

PASSOS, F.C.; SILVA, W.R.; PEDRO, W.A. & M.R. BONIN. 2003. Frugivoria em morcegos (Mammalia, Chiroptera) no Parque Estadual de Intervales, sudeste do Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, Curitiba, 20 (3): 511-517.

https://www2.ib.unicamp.br/projbiota/frugivoria/inter.html

https://revistapesquisa.fapesp.br/2001/03/01/sem-bichos-a-floresta-morre/

http://www.ra-bugio.org.br/mataatlantica_04.php

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Escritores do Barroco

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O barroco iniciou-se no final do século XVII e início do século XVII, na Espanha.

O movimento artístico espalhou-se por toda a Europa, influenciando as artes plásticas, a literatura, a arquitetura, a música e o teatro.

Em Portugal, iniciou-se em 1580 com a morte de Camões e terminou com a fundação da Arcádia Lusitana.

Já no Brasil, iniciou-se com a publicação do poema épico “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, em 1601. Terminou em 1768 com a publicação de “Obras Poéticas”, de Cláudio Manuel da Costa.

O período é marcado por grandes acontecimentos. A instabilidade política e a decadência econômica nos países europeus que foram responsáveis pelo surgimento desse movimento artístico. O surgimento de questionamentos sobre os valores impostos pela Igreja Católica, além da perda dos fiéis após as revoltas religiosas. A partir de então, surge a Contrarreforma com o objetivo de evitar a saída de mais fiéis, através de suas ideias teocêntricas.

Influenciados pelo movimento barroco, os escritores utilizam de excesso de mensagens religiosas, linguagem e tom pessimistas, figuras de linguagem, linguagem rebuscada e mais trabalhada, cultismo e conceptismo, além de poesias marcadas pela instabilidade emocional, sendo acompanhada de sentimento de culpa pelos pecados. Também trabalham com o tema sobre a vida e a morte, e sobre a imagem da mulher, comparada com uma rosa devido à sua estonteante beleza.

Principais autores e obras do movimento barroco:

  • Padre Manuel Bernardes (1644-1710) foi um presbítero da Congregação do Oratório de S. Filipe de Nery. Produziu diversas obras de espiritualidade cristã, com uma linguagem simples e espontânea, sendo a sua principal obra a “Nova Floresta”.
  • Francisco Rodrigues Lobo (1580-1622) foi um poeta de influência camoniana. As suas principais obras são “Romanceiro”, “Éclogas” e “Pastor Peregrino”.
  • Sóror Violante do Céu (1601-1693) foi uma religiosa e escritora. Escreveu poemas com temas passionais e religiosos. A sua principal obra é “Rimas Várias”.
  • Francisco Manuel de Melo (1608-1667) foi um escritor, político e militar português. Dedicou-se à poesia lírica, à historiografia, ao teatro e à prosa filosófica e moralizante. A sua principal obra é “Carta de Guia ao Casados” que retrata sobre as relações conjugais com ironia e humor.
  • Frei Luís de Sousa (1555-1632) foi um sacerdote e escritor, além de historiador. A sua principal obra é “História de São Domingos e Anais de D. João III”.
  • Sóror Mariana Alcoforado (1640-1723) foi uma freia portuguesa. A sua principal obra é “Cartas Portuguesas” que trata sobre um amor proibido e não correspondido. Uma paixão violenta e incontrolada por um militar.
  • Padre Antônio Vieira (1608-1697) foi um religioso, filósofo, escritor e maior orador sacro da língua portuguesa. As suas principais obras são “Sermão da Sexagésima” que retrata sobre a arte de pregar, além do “Sermão de Santo Antônio” que tem como tema a escravidão indígena.
  • Bento Teixeira (1561-1600) foi um poeta luso-brasileiro. A sua principal obra é “Prosopopeia”, considerada o marco inicial do barroco na literatura brasileira. O poema foi escrito de forma semelhante a “Os Lusíadas” com o objetivo de louvar o donatário da capitania de Pernambuco, Jorge de Alburqueque Coelho. Trata também sobre os feitos dos heróis portugueses em terras brasileiras e africanas.
  • Gregório de Matos (1636-1696) foi um advogado e poeta do Brasil colônia, sendo considerado um dos maiores poetas do barroco em Portugal e no Brasil. Ficou muito conhecido como “Boca do Inferno”, por conta de suas sátiras desumanas. As suas principais obras são poesias religiosas, líricas e satíricas.

Fontes:

Módulo do ensino integrado: língua portuguesa. São Paulo: DCL, 2002. p.79-119.

https://www.stoodi.com.br/blog/2018/09/12/barroco/

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Haute Couture: Ralph & Russo Fall 2020

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A temporada de Inverno 2020 de Couture já está a todo vapor! Paris está repleta de fashionistas, circulando entre as apresentações, com seus visuais elegantes, modernos e surpreendentes. É tão especial quando estamos em meio a tantas inspirações. Já nas salas de desfile, criações dos sonhos surgem na passarela com propostas que transmitem aquela sensação de alegria e encanto.

No segundo dia do evento, a Ralph & Russo trouxe sua coleção para os domínios da Embaixada Britânica na França, que foi construída na década de 1720, quando a Rue du Faubourg Saint Honoré era uma estrada sinuosa que passava por campos e mercados para a Vila de Roule. A locação majestosa foi eleita pela dupla criativa Tamara Ralph e Michael Russo foi pano de fundo para nos levar a uma viagem romântica de uma noite na década de 1930.

Longos volumosos e flutuantes, repletos de brilhos, dão vida a opulência tradicional Art Déco, movimento que já se tornou um clássico na história da grife. Pense também em uma série de vestidos com estampas florais, que vão se adaptando a diferentes shapes – há desde os mini comprimentos aos que cobrem os sapatos. Cada modelo surge com uma proposta de composição, entre modelagens que trabalham franzidos, assimetrias, transparências com aplicações e camadas de babados. Entre as opções de tule, os estilistas apostaram em pontos específicos, como ombros marcantes e decotes poderosos, além de fendas que surgem em saias cobertas por camadas.

Na ala das peças com shapes mais líquidos, o destaque vai para detalhes complementares, que dão força ao visual monocromático. Há composições off shoulders com bordados na gola e punhos; macacões com parte superior coberta por pérolas; e barras de vestidos que unem com alça da peça. Todos em uma sintonia fina e, acima de tudo, com ar jovem, prontos para mostrar um caminho de desejos sem fim neste universo da Couture.



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Levantamento de fauna

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O levantamento de fauna é a utilização de técnicas para fazer uma amostragem das espécies que habitam uma determinada área, em um certo período. Essas técnicas variam conforme o objetivo do estudo feito e podem caracterizar e avaliar o estado de conservação não só das espécies de fauna, como de toda a biodiversidade, uma vez que os animais fazem parte das relações ecológicas que sustentam um ecossistema.

O inventário é utilizado para manejo, monitoramento e conservação do meio ambiente. No Brasil, é requerido nos licenciamentos ambientais (para empreendimentos e atividades que causam degradação ambiental), supressão de vegetação e nos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e seus relatórios (RIMA- Relatório de Impacto ambiental) para empresas ou empreendimentos com atividades que podem causar algum tipo de impacto no ambiente- como pode ser visto no artigo 225, § 1°, IV, da Constituição Federal de 1998, que assegura um meio ecologicamente equilibrado.

Metodologias

Os estudos de fauna podem abordar os diferentes grupos animais: Ictiofauna (peixes), Herpetofauna (répteis e anfíbios), avifauna (aves) e mastofauna (mamíferos). São feitos por pesquisadores ou por profissionais especialistas competentes.

Existem diversas metodologias para contemplar cada grupo, que se baseiam em literaturas específicas. É sugerido que a coleta de dado seja feita em diferentes estações do ano (chuvosa e seca), pois a composição pode mudar, conforme a disponibilidade de recursos e o ciclo de vida da espécie. As técnicas incluem observações com evidências direta, na qual o pesquisador visualiza/ ouve o animal; e evidências indiretas, na qual há vestígios como fezes, pelos, penas, ninhos, pegadas, etc. A forma de se coletar os dados e a qualidades deles será essencial para um bom trabalho. Na metodologia deve ter escrito o esforço amostral para cada grupo e em cada fitofisionomia, além de um mapa indicando o tamanho da área. Para casos de licenciamento ambiental, espera-se os parâmetros de riqueza e abundância, índices de eficiência amostral e de diversidade, por fitofisionomia e cada grupo.

Um levantamento tem como base dar o diagnóstico da riqueza (quais espécies ocorrem naquele local) e da composição (quais e quantas espécies ocorrem naquele local). Há dois tipos de dados gerados:

Métodos qualitativos: Contemplam a riqueza, ou seja, quais espécies que tem em determinado local.

Métodos quantitativos: Além da riqueza, apresentam informações sobre a abundância relativa ou densidade, que é o número de indivíduos pela unidade de área.

Técnicas mais comuns para cada grupo:

Herpetofauna

  • Procura Visual- Consiste em andar por todo o ambiente a procura dos animais.
  • Procura auditiva- Utiliza-se das vocalizações de anuros para identificá-los.

Há técnicas mais invasivas que capturam os animais, sem morte, como as armadilhas chamadas de Pitfall.

Avifauna

  • Evidências indiretas- Encontro de ninhos, penas, pelotas, regurgito, etc.
  • Inventários simples: Pesquisador pelos diferentes habitats, anotando todas espécies vistas ou ouvidas, sem técnica específica.
  • Lista de Mackinon: Faz-se listas de 10 espécies diferentes, enquanto se caminha por trilhas ou estradas que contemplam as diversas fitofisionomias. Não leva em consideração o número de indivíduos vistos. É possível fazer a curva de acúmulo de espécie, analisando a riqueza de espécies na área.
  • Ponto de Escuta: Marca-se pontos a cada 200m, em trilhas existentes ou feitas. O observador fica parado em torno de 10 minutos em cada ponto, anotando todos indivíduos visualizados ou ouvidos. Neste método é possível fazer cálculos de densidade relativa e absoluta, parâmetros quantitativos.
  • Rede de neblina: Consiste em armar uma rede específica no habitat a ser estudado e aguardar um indivíduo cair na armadilha, liberando-o em seguida.

Mastofauna

  • Procura Visual e Busca Ativa- Andar ao longo de trilhas anotando vestígios ou visualização e audição.
  • Armadilhas fotográficas- A câmera trap é instalada em pontos específicos de trilhas para capturar imagens de mamíferos que passem no local.
  • Parcelas de Areia- Monta-se um delimitado de areia em uma trilha, com uma comida atraente no meio, para que se registre a pegada do animal que passar por ela.

Existem armadilhas para estudo de pequenos mamíferos, como Pitfall, tomahawk e Sherman, que não machucam o animal.

Câmera amarrada em árvore, para captura de fotos de animais na floresta. Essa é uma das formas utilizadas para levantamento de fauna de uma região. Foto: bravikvl / Shutterstock.com

Referências:

Matter, V. S. et al. Ornitologia e Conservação, Ciência Aplicada Técnicas de Pesquisa e Levantamento, Techinal Books Editora, 1a edição, 2010. Pg. 33-102.

Culle Jr., L. et al. Métodos de Estudo em Biologia da Conservação, Manejo da Vida Silvestre. 2a edição revisada.

https://www.masterambiental.com.br/consultoria-ambiental/licenciamento-e-estudos-ambientais/licenciamento-ambiental/

http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/cao_urbanismo_e_meio_ambiente/legislacao/leg_estadual/leg_est_resolucoes/Resol-SMA-36-2018_manejo_in_situ_animais_silvestres_(art6_resolSMA-92-14).pdf

https://cetesb.sp.gov.br/wp-content/uploads/2014/12/DD-167-2015-C-sem-assinaturas.pdf

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Destruição de habitat

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Em todo planeta existe degradação ou destruição de habitat. Do passado até o presente, ela tende a ocorrer em locais de alta densidade humana. Isso significa que ocorre um processo de mudança nessa terra e nos recursos naturais dela, fazendo com que animais e plantas se desloquem ou deixem de existir, naquele ambiente.

Causas

A degradação se inicia quando o ser humano precisa manipular o meio em que vive para desenvolver atividades de produção e urbanização. Os principais fatores dessa destruição, no mundo, tem sido:

  • Em primeiro lugar a pecuária, que além de desflorestar, para a criação de pastos, desmata para produção de alimentação para a criação. Além disso, produz dejetos que contaminam o solo e as águas, chegando a atingir os oceanos. Nos países tropicais há uma taxa de 7 milhões de hectares devastados, todo ano, para esta atividade.
  • Agricultura: A expansão da agricultura causa impactos ambientais como: erosão, contaminação das águas com agrotóxico, compactação e impermeabilização dos solos pelo uso intensivo de máquinas agrícolas, contaminação de alimentos e animais, desmatamento da cobertura nativa; assoreamento de rios e reservatórios, disseminação de pragas, alterações no clima, e finalmente, a perda de habitat natural para animais e plantas, colocando a biodiversidade em risco. A agropecuária leva à exposição do solo, que se torna mais suscetível à erosão.
  • Extração de madeira: O uso da madeira e sua retirada de forma não sustentável, sem manejo apropriado, é um dos grandes fatores de desflorestamento. Um exemplo disso é a exploração da madeira na Amazônia, para construção civil no país e para exportação. O desmatamento na Amazônia cresceu de forma assustadora, chegando a 19 ha/hora no início de 2019.
  • Construções civis: Além de transformar o espaço físico para a urbanização, há uso de madeira paras as construções. As regiões com maior número de pessoas, como a sudeste, é a que mais usa no Brasil.
  • Queimadas e Incêndios: São atividades realizadas geralmente para “limpar” a terra para agropecuária. Podem ser geradas de forma intencional, ou acidental, causando bastante impacto nas comunidades naturais.

Plantação de soja avança pela pela Floresta no interior do Brasil, provocando destruição de habitats. Foto: Frontpage / Shutterstock.com

Quanto mais cresce a população humana de um determinado local, maior a urbanização, o que aumenta a demanda de recursos renováveis e não renováveis, de energia e cresce o impacto causado ao meio natural, nas florestas e águas do planeta.

Além das florestas, o homem destrói áreas alagadiças, drenando ou aterrando para desenvolvimento de estruturas que impactam as espécies que dependem delas, como a fauna aquática, aves que se alimentam por ali, ou plantas exclusivas deste tipo de ambiente. Os manguezais são ecossistemas muito importante nas regiões tropicais do globo, além das raízes das árvores drenarem os sedimentos que descem dos rios, os manguezais são a base da cadeia alimentar marinha. São desmatados com frequência para cultivo de arroz e criação de camarão, além de aterrados, para construções.

A poluição dos rios é uma atividade comum onde há ocupação humana próxima, seja pelo descarte de dejetos, produtos químicos, pesticidas, agrotóxico, etc. A poluição pode levar à morte de um rio, como ocorreu com o Rio Doce, em um derramamento de lama tóxica, em 2015. Os danos causados à fauna e flora podem ser irreversíveis. Os recifes de corais, são habitats marinhos que também sofrem com a sua destruição, podendo chegar a uma perda de 70% nas próximas décadas.

Espécies endêmicas são aquelas encontradas apenas em uma região, a destruição de habitats é uma grande ameaça de extinção a essas espécies.

Consequências

As consequências da destruição de habitat podem ser diversas: Fragmentação de habitat, mudanças climáticas, aumento de espécies invasoras, desertificação e é a maior causa de extinção de espécies, hoje.

É importante destacar que mesmo não havendo a destruição do habitat, pode haver a degradação dele, há longo prazo, com atividades que não alteram a estrutura da comunidade de imediato. A poluição ambiental, com os pesticidas, produtos químicos, emissões de esgoto industrial e urbano, emissão de gases poluentes, são algumas das situações em que há degradação do habitat ao longo de gerações, para as espécies.

Referências:

PRIMACK, Richard; RODRIGUES, Efraim. Biologia da Conservação. Londrina: E. Rodrigues, 2001.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-753X2012000200002&script=sci_arttext&tlng=es

https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,desmatamento-avanca-na-amazonia-que-perde-19-hectares-de-florestashora,70002838401

http://www.secovi.com.br/noticias/madeira-e-legal-disponibiliza-novo-livro-para-download-gratuito-/10992

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rompimento_de_barragem_em_Mariana

https://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/recifes-de-corais-2-as-ameacas-de-destruicao-aos-recifes-de-corais.htm

http://www.zonacosteira.bio.ufba.br/degradacao.html

http://amazonia.org.br/2016/09/pecuaria-e-responsavel-por-mais-de-80-do-desmatamento-no-brasil/

http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=890:queimadas-no-brasil&catid=51:letra-q

http://meioambiente.culturamix.com/natureza/impactos-ambientais-da-urbanizacao

https://pt.wikipedia.org/wiki/Destrui%C3%A7%C3%A3o_de_habitat

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Fragmentação de habitat

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Uma das consequências da destruição de habitat, através do desenvolvimento das atividades humanas, é a fragmentação dele, ou seja, um habitat no seu tamanho original é dividido em tamanhos menores, geralmente com perda de áreas e isolamento desses fragmentos, transformando a paisagem. E essa fragmentação pode ocorrer mesmo quando a paisagem não é tão alterada, por exemplo, com a instalação de cercas, muros, passagem de tubulações, estradas e rodovias, etc.

Causas

A fragmentação de habitat pode ocorrer por meios naturais, com algum tipo de desastre, ou pode ser causada por atividades humanas que degradam o ambiente, como a agricultura, a pecuária, exploração de madeira, queimadas, construções de estradas, construções civis, urbanização, etc.

Foto de satélite em região da Floresta Amazônica no Pará. Observe os recortes na floresta por meio da abertura de estradas e derrubada de árvores. Foto: Google Maps.

Consequências

A fragmentação de uma paisagem, muda as condições de vento, umidade, entrada de sol, ou seja, o microclima é alterado, levando ao que chamamos de efeito de borda, que traz mudanças ecológicas. Além disso, a distância do centro do fragmento é alterada, aproximando mais das bordas, em relação a quando era um pedaço contínuo e grande. As espécies climácicas vivem em condições ambientais e climáticas diferentes das plantas de borda, não tolerando muito sol e vento e acabam morrendo. O efeito é o aumento de plantas pioneiras. Essa mudança na complexidade da paisagem, leva a um empobrecimento da qualidade de habitats e quanto menor um fragmento, mais efeito de borda ele apresentará.

Há estudos sobre a extensão e padrão de fragmentação que vão indicar a configuração, formato e distribuição dos fragmentos, podendo dar o diagnóstico dos efeitos da fragmentação e o efeito de borda. Dependendo do formato e da distância entre os fragmentos, os efeitos na composição de espécies podem ser menores.

Além de causar o efeito de borda que altera a estrutura e composição de espécies de flora que vai se instalar no entorno do fragmento, a divisão da área influencia a fauna que a povoa, para espécies que se adaptam bem a esse tipo de ambiente. Geralmente, a fauna do interior das matas é especialista e se adaptou a viver bem camuflada, naquele tipo de ambiente e temperatura. As transformações ambientais afetam as taxas de reprodução e sobrevivência das espécies, podendo levar ao declínio populacional.

Muitas espécies de aves, insetos e até de mamíferos não atravessam faixas dentro da mata para o outro lado. Isso é uma ameaça, uma vez que dificulta a dispersão da população. Como tudo na natureza está interligado e mantém o equilíbrio, os fragmentos dificultam a movimentação da fauna e consequentemente a dispersão de sementes e polinização. Este isolamento de espécies pode levar a diminuição da variabilidade genética delas e até mesmo à extinção de algumas, por não conseguirem se dispersar para recolonizar novos fragmentos.

Todas essas consequências levam à perda de biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. As interações ecológicas podem ser descompensadas, como por exemplo, com a perda de grandes predadores, há aumento de mesopredadores e consequentemente diminuição de suas presas, ameaçando espécies à extinção.

O tipo de matriz (paisagem alterada que permeia os fragmentos) também influencia os efeitos da fragmentação. Áreas reflorestadas, por exemplo, permitem maior biodiversidade nas bordas, do que áreas extensas de pastos entre os remanescentes de vegetação natural.

Amenizando os efeitos

A medida mais eficaz para combater a fragmentação de habitat é a proteção dos remanescentes e replantio de espécies nativas. A longo prazo, essas ações contribuem para biodiversidade, uma vez que a natureza é muito resiliente. A criação de unidades de conservação é um passo importante para manutenção desses ecossistemas.

A gestão e manejo das áreas fragmentadas é essencial para contribuir com a biodiversidade. Nas áreas protegidas, podem ser feitas as zonas de amortecimento, que suavizam os impactos antrópicos e de efeito de borda entre a matriz e o fragmento. Existe ainda uma ferramenta, chamada de corredor ecológico, que ligam os remanescentes, permitindo a migração de espécies, contribuindo para o fluxo gênico, aumentando a viabilidade das populações e a recolonização de novas áreas.

Referências:

Laurance, W. & Vasconcelos, H. 2009. Conseqüências Ecológicas da Fragmentação Florestal na Amazônia. Oecologia Brasiliensis 13.

PRIMACK, Richard; RODRIGUES, Efraim. Biologia da Conservação. Londrina: E. Rodrigues, 2001.

PIRES, A.S., FERNANDEZ, F.A.S. & BARROS, C.S. 2006. Vivendo em um mundo em pedaços: Efeitos da fragmentação florestal sobre comunidades e populações de animais. In. Biologia da conservação: essências (C.F.D. Rocha, H.G. Bergallo, M.Van-Sluys & M.A.S. Alves, eds) RiMa Editora, São Carlos, p.231-260.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fragmenta%C3%A7%C3%A3o_de_habitat

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Monitoramento ambiental

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Para compreender o que é o monitoramento ambiental, precisamos compreender antes o que nos leva a precisar dele. Alguns tipos de empreendimento realizam atividades que degradam o meio ambiente, por isso há uma resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente – Conama nº 237/1997, que estabelece os principais tipos de empreendimentos que estão sujeitos ao licenciamento ambiental, dentre elas: mineração, rodovias, ferrovias, tratamento de destinação de resíduos, estação de tratamento de água, etc.

Licenciamento ambiental

Através do licenciamento os órgãos ambientais (que podem ser de esfera federal, estadual ou municipal) buscam controlar e acompanhar as atividades humanas que interferem nos processos naturais, assegurando a sustentabilidade dos ecossistemas. Ele é dividido em três fases:

  • Licença prévia - Esta fase possui várias etapas, nas quais a empresa apresenta o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), que avaliam amplamente os impactos ambientais que serão causados e as devidas ações mitigatórias.
  • Licença de Instalação - Subdividida em outras etapas, pode aprovar os projetos de controle ambiental para a fase de implementação.
  • Licença de Operação - O Empreendedor elabora os relatórios sob a implantação dos programas ambientais determinados na licença de instalação.

Monitoramento ambiental

Sendo assim, o monitoramento ambiental é parte obrigatória para se manter as licenças ambientais e também é parte do Sistema de Gestão Ambiental. Com o monitoramento é possível se atestar as ações de controle ambiental proposta pelas empresas. O monitoramento vai dando o diagnóstico, através de métodos qualitativos e quantitativos, da situação e do que pode ser mediado.

As técnicas vão variar conforme o tipo de impacto que a atividade traz ao meio. Pode ser para o controle de emissão de poluentes gasosos e líquidos, para o controle de qualidade de águas de rios, lagos e mares, entre tantas outras.

E a fauna?

Para fins de licenciamento ambiental e/ou supressão de vegetação nativa, é requerido laudos de fauna silvestre, primeiramente com um inventário dos diferentes grupos e depois um monitoramento periódico para se estudar se o impacto está afetando o meio e quais medidas podem ser tomadas.

O monitoramento de fauna é realizado por um técnico responsável e uma equipe de especialistas em cada grupo: ictiofauna (se houver impacto na água), herpetofauna (répteis e anfíbios), avifauna (aves) e mastofauna (mamíferos) de grande, médio e pequeno porte. Existem diferentes técnicas para o levantamento de fauna, que serão escolhidas pelos profissionais conforme o tamanho da área a ser amostrada, tipo de ecossistema, entre outros parâmetros. O esforço amostral dependerá muito das técnicas utilizadas e do tamanho da área, mas ele deve ser comprovadamente eficaz, de acordo com dados estatísticos e a curva de acúmulo de espécies.

Medidas mitigatórias são ações que diminuem os danos causados pelas atividades. Por exemplo, em casos de criação de barreiras intransponíveis para fauna, ou sistema viário, um projeto técnico vai definir pontos específicos para criar conectividade entre os fragmentos e recursos hídricos, como passagens subterrâneas ou pontes aéreas.

Em áreas de corte da vegetação nativa é essencial que haja conectividade entre os fragmentos, chamados de corredores ecológicos, permitindo que haja trânsito de fauna entre dois fragmentos, com fluxo gênico de fauna e flora, uma vez que a fauna é agente na reprodução de muitas espécies de planta.

É importante deixar claro que a gestão de controle ambiental pode ser de âmbito federal, estadual ou municipal. Existindo algumas leis, decretos, portarias e instruções normativas que normatizam, legalizam e dão diretrizes às atividades que causam impacto ambiental e necessitam de um monitoramento periódico.

Referências:

https://www.ibama.gov.br/perguntas-frequentes/licenciamento-ambiental

https://www.masterambiental.com.br/consultoria-ambiental/licenciamento-e-estudos-ambientais/monitoramento-ambiental/

https://cetesb.sp.gov.br/wp-content/uploads/2014/12/DD-167-2015-C-sem-assinaturas.pdf

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6660.htm

http://www.mma.gov.br/areas-protegidas/instrumentos-de-gestao/corredores-ecologicos

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Instituto Butantan

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O Instituto Butantan é um centro de pesquisa público, localizado na zona Oeste de São Paulo, em um espaço de 750 mil m2, com 60% da sua área sendo verde. Possui um complexo de laboratórios, fábricas, um parque e três museus, recebendo em torno de 300 mil visitantes por ano. Tem edifícios tombados, serpentário, coleções zoológicas e disponibiliza seus acervos em uma biblioteca especializada física e digitalizada, além de proporcionar diversas atividades educacionais. Com mais de um século de existência, o Instituto Butantan desenvolveu inúmeros avanços tecnológicos voltados para questões de saúde pública e é considerado um dos maiores centros científicos do mundo.

Histórico

No final do século XIX um surto de peste bubônica assustava o porto de Santos, o governo de São Paulo comprou a Fazenda Butantan para instalar um laboratório de estudo e produção de soro contra a peste, junto ao Instituto Bateriológico, que hoje é o Instituto Adolfo Lutz. Em 1901, tornou-se autônomo e o Dr. Vital Brasil foi o primeiro diretor. Ao longo da sua diretoria, o médico ampliou as atividades, desenvolvendo pesquisa com soros e vacinas. Chamou a atenção internacional e logo teve reconhecimento fora do Brasil para suas pesquisas de herpetologia, imunologia e microbiologia. Foi o primeiro centro brasileiro a desenvolver estudos com animais peçonhentos e soro antiofídico

A partir de 1914, em seu prédio novo e com investimentos aumentados, suas pesquisas foram transformando o instituto no maior centro de pesquisa biomédica do estado de São Paulo.

Em 2009, com aliança internacional, passou a produzir vacinas para combate da Gripe Suína (H1N1), ganhando mais um destaque.

Em 2010, o Prédio das Coleções sofreu um incêndio, que destruiu meio milhão de espécimes de serpentes, artrópodes, escorpiões, miriápodes, opiliões e aranhas. A coleção era a maior do Brasil, sendo referência em descrição de novas espécies. Milhares de espécimes seriam ainda catalogados, especialistas acreditam que o incêndio levou à perda insubstituível de um patrimônio histórico da biologia brasileira.

O instituto segue sempre inovando, criou vacina para 4 sorotipos de dengue. Hoje, todo ano entrega mais de 100 milhões de doses de vacina ao Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde. Em 2018 forneceu 600 milhões de dose da vacina da gripe para o Sistema único de Saúde (SUS) e projetam que até 2020 a capacidade de produção chegará a 80 milhões de doses.

Além disso, realiza metade da produção brasileira de vacinas e 90% dos soros contra venenos, usados no SUS. Possui 40 patentes dentro das suas pesquisas institucionais. Recentemente, desenvolveu a vacina da dengue em dose única, numa parceria com NIH (National Institute of Health), dos E.U.A.

Fachada do Instituto Butantan em São Paulo. Foto: Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O centro de Pesquisa e Anexos

É um instituto vinculado à Secretaria de saúde do estado de São Paulo, tendo dentro do seu complexo o Hospital Vital Brasil, que é referência nacional.

Além de gerar conhecimento, o divulga através de cursos oferecidos para a comunidade, além do curso de pós-graduação em toxinologia, o curso de extensão universitária, mestrado e doutorado, especialização na área da saúde e o MBA oferecido em Gestão de Inovação em saúde. O instituto além de desenvolver atividades educativas, publica materiais educativos, vídeos, jogos, etc.

Possui o Museu Biológico, que foi o primeiro museu do instituto e permanece em um edifício histórico; Museu de Microbiologia, Museu Histórico, um macacário, um serpentário, um reptário e um parque.

O Museu Emílio Ribas, que fica no bairro Bom Retiro, foi passado ao instituto Butantan em 2010.

Fornecem oito tipos de vacina ao Ministério da Saúde, junto a parcerias com laboratórios externos:

  • Influenza sazonal trivalente;
  • Hepatite A;
  • Hepatite B;
  • HPV;
  • Raiva;
  • Vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis (DTP);
  • Vacina adsorvida diftéria e tétano adulto (dT)
  • Vacina adsorvida diftéria e tétano infantil (DT)
  • dTpa.

Produz vários tipos de soro, contra toxinas de animais peçonhentos:

  • Antibotrópico;
  • Antibotrópico e Antilaquético;
  • Anticrotálico;
  • Antielapídico;
  • Antiescorpiônico;
  • Antiaracnídico;
  • Antilonômico;
  • Antidifitérico;
  • Antitetânico;
  • Antibotulínico AB;
  • Antirábico.

O instituto conta com parcerias públicas e privadas, nacional e internacionalmente, para desenvolvimento de suas pesquisas.

Referências:

https://bibliotecadigital.butantan.gov.br/

http://www.butantan.gov.br/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4080994/

https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,incendio-destroi-mais-de-500-mil-amostras-do-instituto-butantan,552220

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2010/05/735708-incendio-pode-ter-destruido-acervo-de-70-mil-especimes-de-repteis-do-instituto-butantan.shtml

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Dior em Grasse

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Após os dias deliciosos em Firenze, com toda a experiência de iniciar meu programa de Pós-Graduação em Fashion Marketing and Communications, pude vivenciar momentos tão especiais e com tanta história para contar. Saí da Itália em direção a Grasse, uma cidade localizada nos Alpes Marítimos na Costa Azul da França, para descobrir os ares encantadores da região conhecida pela sua relação direta com o mundo das fragrâncias. Isso porque lá é considerado o lugar onde as grandes casas de moda e perfumaria buscam suas matérias-primas, em campos de flores surpreendentes. O mais curioso? Grasse era o refúgio de Christian Dior e era lá que o estilista se dedicava à paixão por flores e jardins, de onde surgiram as criações de seus perfumes mais icônicos.

Para conhecer melhor este universo, fizemos uma visita guiada pela LES FONTAINES PARFUMÉES, um prédio, construído em 1640, onde hoje nascem os perfumes da Dior, pelas mãos do perfumista François Demarchy. Nos jardins, são 350 essências, com destaque para a Rosa de Maio. Nos arredores da cidade, ficam os campos de flores exclusivos da marca, que vão servir de ingredientes para os perfumes da maison, como J’Adore, Miss Dior e Joy.

Na região também há um outro cantinho mágico, onde Christian Dior costumava passar seus verões. O Château de La Colle Noire foi uma residência em que o estilista cultivava rosas e jasmins para seus perfumes. Apaixonado por flores desde a infância, ele sempre se considerou um perfumista, além de um costureiro. Prova dessa relação tão próxima com os perfumes foi quando, em 1947, lançou o primeiro Miss Dior. E a apresentação da criação foi em uma ocasião extremamente especial. O aroma foi apresentado com borrifadas durante o icônico desfile “New Look”. Ao longo das décadas, foram surgindo novas versões da fragrância, mas sempre mantendo a proposta feminina e elegante pensada por Dior.

Após sua morte, em 1957, o Château teve outros donos, mas há alguns anos a marca readquiriu a propriedade e deu início a uma renovação completa para preservar a herança de seu fundador. Os jardins e a mansão foram restaurados, assim como a decoração dos ambientes seguiu o estilo concebido pelo próprio Monsieur Dior, misturando um estilo provençal com mobiliário Luís XVI.

Passar o dia imersa em uma história única e tão marcante na história da moda, onde a tríade beleza, bondade e verdade guiaram o caminho de um homem. Incrível poder conhecer os detalhes do legado de Christian Dior.

 



Blog da Alice Ferraz https://ift.tt/2Np9iHT
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Classificação climática de Köppen-Geiger

" A Classificação climática tem como intuito agrupar os diferentes segmentos do planeta associando-os de acordo com os índices climátic...