Complexos regionais do Brasil

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Os Complexos Regionais do Brasil ou Regiões Geoeconômicas do Brasil são uma regionalização criada pelo geógrafo brasileiro Pedro Pinchas Geiger, na década de 1960. Essa divisão levou em consideração não apenas a localização dos estados, mas seus aspectos naturais e socioeconômicos. O geógrafo criou então três regiões: Região Amazônica, Região Centro-Sul e Região Nordeste.

Mapa dos complexos regionais (ou regiões geoeconômicas) do Brasil. © InfoEscola

Complexo regional da Amazônia

O complexo regional da Amazônia é a maior das regiões, porém é a menos povoada e seus estados contam com as mais baixas densidades demográficas do país. E uma significativa parcela da população reside nas capitais, sobretudo, em Belém e Manaus.

Esta região compreende os estados:

É uma região em diversidade natural, tem rede fluvial importante e nela está a Floresta Amazônica. As atividades econômicas de maior importância são o extrativismo mineral e vegetal, a agropecuária e a indústria.

Na indústria se destaca a Zona Franca de Manaus, que é uma região industrial que opera pela concessão benefícios especiais para as indústrias que ali se instalaram, como isenção de impostos para produtos industrializados, incentivos fiscais e concessão de terrenos.

A região também é vista como uma importante área da expansão da fronteira agrícola, o que pode agravar o desmatamento da Floresta Amazônica.

Complexo Regional do Nordeste

O Complexo Regional do Nordeste abriga cerca de 25% da população brasileira, que está mais concentrada nas capitais litorâneas, e ocupa 20% do território nacional. Foi a primeira região a ser explorada pelos europeus, porém com o passar dos anos, passou por um movimento migratório para o Centro-Sul, e, posteriormente para a Amazônia. Nos últimos anos vem ocorrendo uma tendência de inversão nesse movimento migratório, muito por conta dos investimentos que a região vem recebendo.

Esta região compreende os estados:

A economia da região é baseada na agropecuária, com a produção de cana-de-açúcar, cacau e algodão. Outro destaque é o turismo fruto da grande diversidade de atrações existentes ao longo do litoral da região. A indústria vem ganhando importância em cidades como Feira de Santana (BA), Goiana (PE), Camaçari (BA), e outras.

No Complexo Regional do Nordeste os maiores períodos de estiagem e alguns dos menores índices socioeconômicos do país. Todavia, o complexo regional têm recebido obras para minimizar essas limitações, como, por exemplo, a construção da transposição do Rio São Francisco.

Complexo regional do Centro-Sul

É a região mais povoada, desenvolvida economicamente e industrialmente, onde estão situados os grandes centros de gestão econômica e política. No Centro-Sul, se concentra as sedes das corporações privadas que participam da produção, distribuição e circulação de mercadorias.

Esta região compreende os estados:

A região tem infraestrutura desenvolvida, com aeroportos, rodovias, portos e ampla rede rodoferroviária, que possibilita a integração entre os três setores econômicos. A região experimentou a modernização agrícola constituindo-se na principal região exportadora de commodities no país.

É a região mais urbanizada e abriga as principais capitais do país, como Rio de Janeiro e São Paulo e capital do país, Brasília. No entanto, apesar de desenvolvida e de centralizar grande parte da produção do PIB do país, é a região onde encontramos os mais expressivos índices de desigualdade social do Brasil, com uma má distribuição de renda, de qualidade de vida e de consumo.

Fontes:

NASCIMENTO, Getulino. Os complexos regionais do Brasil. Disponível em: https://www.getulionascimento.com/news/complexos-regionais/. Acesso em: 22 de maio de 2019.

ROCHA, Aristotelina Pereira Barreto; A Geografia Regional do Brasil. Natal-RN: Ed.EDUFRN, 2.ed, 2011. 312p.

BRASIL, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Divisão regional do Brasil em regiões geográficas imediatas e regiões geográficas intermediárias. IBGE, Coordenação de Geografia. Rio de Janeiro, 2017.

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Canal do Panamá

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O Canal do Panamá é uma via artificial marítima situada no Panamá, na América Central. A obra inaugurada em 1914, possui hoje 82 km de comprimento, e sua largura varia. No Estreito de Culebra o canal tem 90 metros de largura, já no Lago de Gatún o caminho se alarga para 350 metros. O canal, construído no extremo sul do país tem grande importância para a circulação de mercadorias, já que encurta significativamente a distância e faz a ligação do Oceano Pacífico ao Oceano Atlântico.

A tentativa francesa de construir o Canal

No século XIX, o Panamá era uma província colombiana, e sua configuração territorial já chamava a atenção de estudiosos e autoridades de países desenvolvidos. Em 1879, o francês Ferdinand de Lesseps negociou com a Colômbia a permissão para construir um canal marítimo em seu território e para tanto, criou a Companhia Universal do Canal Interoceânico do Panamá. Entretanto, a iniciativa não deu certo e a sua empresa faliu em 1889.

O fracasso da construção francesa do Canal do Paraná se deu em virtude dos inúmeros operários mortos, em razão do clima do local, que favoreceu a proliferação de doenças tropicais, como a febre amarela e malária. Além disso os franceses não tiveram êxito no projeto de construir uma via em único nível, resultando em significativos desabamentos nas encostas da construção, devido ao impacto das ondas do mar.

Os Estados Unidos e o Canal do Panamá

O interesse estadunidense na construção da via fez com que o país comprassem as ações da falida empresa francesa, por cerca de 40 milhões de dólares. O canal representava um novo caminho, que encurtaria as distâncias entre os oceanos que banhavam os EUA e diminuiria significativamente a quilometragem para a costa leste da América do Sul. Antes da construção da via, o trajeto entre o Pacífico e o Atlântico que cercavam as extremidades do país era de 20 mil km e durava aproximadamente dez dias.

Para conseguir a concessão da obra, os Estados Unidos apoiou o Panamá em seu processo de independência. Concedeu então, tropas marítimas para os panamenhos a fim de evitar qualquer tentativa de golpe por parte da Colômbia. Com a separação conquistada – sustentada pelo grande poderio militar americano – o governo panamenho autorizou a construção do canal em seu território, obra que envolveu mais de 75 mil trabalhadores. A obra durou 10 anos, e apesar de estar em seu território, o Canal do Panamá era gerido pelos EUA, pois era a compensação panamenha pelo apoio estadunidense no processo separatista do país.

Processo de construção do Canal do Panamá. Trabalhadores escavam buracos para colocação de dinamites. 1913. Foto: Everett Historical / Shutterstock.com

No entanto, os panamenhos contestavam a ausência de retornos econômicos para o país. Como culminância das reivindicações, em 1977 é assinado o Tratado Carter-Torrijos, que reconhecia a soberania e a gestão do Panamá sobre o Canal, E em 1999, após 22 anos do período transitório de administração da via, a gestão passa a ser exclusivamente panamenha.

Estrutura do canal

O Canal do Panamá foi construído a partir de um sistema de eclusas, que é um projeto de engenharia que permite a elevação e o rebaixamento das embarcações em locais que apresentam desníveis entre os oceanos que facilita a navegação. É como um elevador “feito de água” que eleva e rebaixa os navios.

Para atravessar o sistema de eclusas do canal, o navio deve ter sua largura máxima em 32 metros, profundidade abaixo de 12 metros e menos de, 289 metros de comprimento. São os navios Panamax. Eles levam de 8 a 10 horas para chegar do outro lado.

Eclusas no Canal do Panamá. Foto: Chris Jenner / Shutterstock.com

As vantagens do Canal do Panamá

Pelo Canal do Panamá passam anualmente cerca de 14 mil navios, de aproximadamente 160 nações distintas. A receita pelo pedágio chega a cerca de 2 bilhões de dólares anuais. Em 2016, a via foi expandida, possibilitando o aumento das embarcações de grande porte e a expansão das relações comerciais entre os países americanos e asiáticos.

Canal do Panamá. Foto: Elena Fernandez Z. / Shutterstock.com

Fontes:

Canal do Panamá ampliado chega em meio a crise. Revista Valor Econômico. Disponível em: https://www.portosenavios.com.br/noticias/portos-e-logistica/34699-canal-do-panama-ampliado-chega-em-meio-a-crise.

VIEIRA, Adriana Carvalho Pinto, et.al; O PROCESSO DE EXPANSÃO DO CANAL DO PANAMÁ: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA DESCRITIVA. Florianópolis/SC, II congresso sul catarinense de administração e comércio exterior, 2018.

SAMARÃO, L. P. A importância da expansão do Canal do Panamá para o comércio internacional. 2012. 73 f. Trabalho de Iniciação Científica (Estágio Supervisionado do Curso de Comércio Exterior) – Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, Itajaí, 2012.

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Escudos cristalinos

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Escudos Cristalinos ou Maciços Antigos são as províncias ou estruturas geológicas mais antigas do planeta Terra. Em razão de sua formação que remonta ao período Pré-cambriano, são as formações mais desgastadas da crosta terrestre e que contam com as rochas mais resistentes. São as bases, as estruturas que suportam o relevo e não devem ser confundido com este.

O que são estruturas ou províncias geológicas?

Estruturas geológicas são áreas que possuem a mesma origem e formação na escala geológica. São geradas pelos mesmos processos tectônicos e em período geológico semelhante. Há essencialmente três tipos de estrutura geológica:

Origem e formação dos Escudos Cristalinos

Os escudos cristalinos foram formados à época da consolidação do planeta Terra, do resfriamento e formação da litosfera, há bilhões de anos. Em um período conhecido como Pré-Cambriano, entre as eras Arqueozoica e Proterozoica. Também em razão desta característica, alguns autores preferem denominar esse arcabouço geológico como Maciços Antigos, esta denominação faz referência à resistência das rochas e à idade da formação.

Por serem estruturas muito antigas, têm sofrido durante todo esse tempo o desgastes dos agentes intempéricos, como a chuva, a neve, o vento e os seres vivos. São as formações mais erodidas e quando não estão recobertas por camadas de sedimentos, apresentam relevo aplainado e por vezes arredondado.

Movimentação Tectônica em Terrenos Cristalinos

Mesmo sendo estruturas que desfrutam de relativa estabilidade tectônica, e que possuem as rochas mais sólidas e estáveis, são nesses terrenos, que a pressão do magma ocasiona falhas ou fraturas na litosfera. Esse processo é sucedido por deslocamento vertical de blocos, soerguendo e rebaixando a superfície. Esse processo é conhecido na Geomorfologia como Epirogênese. Como a maior parte de dos eventos geológicos, esse é um processo que leva milhares de anos para se consolidar.

Composição dos Escudos Cristalinos

Em razão dos efeitos do tempo, os Escudos Cristalinos, como o próprio nome sugere, são compostos por rochas bastante resistentes, densas. Dois tipos de rochas os compõem: rochas magmáticas ou ígneas e as rochas metamórficas.

A composição mineral dessas estruturas está condicionada ao período de formação. Vejamos:

  • Terrenos cristalinos proterozoicos – os escudos cristalinos formados na era proterozoica são hoje essencialmente constituídos por minerais metálicos como o ferro, bauxita, o manganês e ouro.
  • Terrenos cristalinos arqueozoicos – são estruturas que deram origem a minerais não-metálicos como o granito e a ardósia.

Escudos Cristalinos pelo Mundo

  • Finoescandinavo, localizado no norte da Europa, na península escandinava;
  • Siberiano, situado no continente asiático, abrange o território da Rússia;
  • Canadense, na América do Norte;
  • Sul-Africano, abrange a porção centro-sul do continente africano;
  • Guiano, localizado na porção equatorial do continente sul-americano;
  • Patagônico, abarca os terrenos situados no extremo sul do continente americano.

Escudos Cristalinos no Brasil

O monte Roraima, no extremo-norte do Brasil, está situado no Escudo cristalino da Guiana. Foto: Alexander Markelov / Shutterstock.com

Mais de um terço da superfície do nosso país estão sobre estruturas de Escudos Cristalinos. As três principais formações são: o Escudo das Guianas, no extremo norte do território, o Escudo do Brasil Central, com maior extensão e o Escudo Atlântico, que abrange a porção leste do país.

Nos estados de Minas Gerais e do Pará o subsolo nessas estruturas são explorados economicamente pela atividade mineradora. São essas jazidas de minerais metálicos, dos escudos cristalinos, que assegura o lugar do país no topo dos exportadores mundiais de minérios como o ferro, cobre, ouro e alumínio.

Importância Econômica dos Escudos Cristalinos

No mundo, os escudos cristalinos são fonte de minerais explorados economicamente. Não apenas o minério de ferro e os demais minerais metálicos, como alumínio, cobre e ouro, tão importantes para as transformações do espaço e produção de tecnologia, mas também os minerais não metálicos utilizados na construção civil e como matéria-prima para decoração. Os minerais não-metálicos explorados e comercializados no país e no exterior são o granito e a ardósia.

Fontes:

TEIXEIRA et al. 2000. Decifrando a Terra, Ed. Oficina de Textos, São Paulo.

Geografia Geral e do Brasil Volume Único - Ensino Médio - Elian Alabi Lucci - Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça – Saraiva – 2005

Estrutura geológica e mineração – Ms. Marcus Vinicius Castro Faria http://educacao.globo.com/geografia/assunto/geografia-fisica/estrutura-geologica-e-mineracao.html

Noções básicas de geomorfologia - Lucivânio Jatobá http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/mydownloads_01/visit.php?cid=76&lid=4363

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Assoreamento

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Assoreamento é o processo acelerado acúmulo de sedimentos, lixo e matéria orgânica nos leitos dos rios, lagos e mares, que causa a redução de sua profundidade. Os processos de sedimentação e deposição ocorrem de forma natural. Entretanto, a aceleração desses fenômenos, que provoca o assoreamento dos cursos d’água, ocorre predominantemente pela ação humana.

É comum em cursos assoreados, a formação de bancos de areia, a elevação do leito do rio, o alargamento das margens e até obstrução do curso d’água.

Assoreamento de rio. Foto: TAGSTOCK1 / Shutterstock.com

Causas do assoreamento

  • Retirada da mata ciliar – provavelmente um dos fatores mais significativos para a gênese eu o agravamento do assoreamento dos cursos d’água, seja a retirada da vegetação que margeia os rios – a mata ciliar. Ao remover esta proteção natural, o solo e os detritos ficam expostos e a ação da água das chuvas, do vento e do próprio rio carregam todo esse material para o leito do rio.
  • Mineração – a atividade de extração de minérios é uma das responsáveis pelo assoreamento dos rios. Para retirar do solo e subsolo os minerais, é preciso desmatar e desagregar rochas e retirar toneladas de material que com as chuvas acabam por chegar aos cursos d’água. Mesmo com as barragens de resíduos da mineração, uma grande quantidade de sedimentos, originados no processo de mineração alcança os cursos d’água.
  • Construção de barragens – a construção de barragens para a produção de energia elétrica modifica a velocidade de vazão do rio. Mais lento, o escoamento do rio promove a intensificação da deposição dos materiais em suspensão na água, que por força da gravidade, vão parar em seu leito.
  • Agricultura e pecuária – as atividades agrícolas contribuem em diversos níveis para intensificar o assoreamento. O desmatamento para a formação de pastagens e plantio de lavouras, deixa o solo desprotegido e com a ocorrência de chuvas leva os sedimentos para o leito do rio. Além do desmatamento, a irrigação de lavouras e pastagens provoca a diminuição da água disponível no rio, o que agrava os processos de deposição.
  • Deposição de lixo e esgoto doméstico e industrial – nos rios que atravessam as cidades, é frequente a deposição de resíduos sólidos e de esgoto nos cursos d’água.
  • Resíduos da construção civil - Sobras da construção civil, bem como lixo de demolição são cotidianamente depositados, de forma inadequada e muitas vezes clandestina nos cursos dos rios.

Margens de um rio erodindo, causando assoreamento. Foto: rweisswald / Shutterstock.com

Consequências do assoreamento

  • Prejuízo à navegabilidade do rio – em cursos d’água que são vias de transporte de pessoas e mercadorias, o assoreamento provoca redução da profundidade do rio e a criação de bancos de areia. Esse fenômeno pode inviabilizar a utilização de um curso d’água como via de transporte.
  • Extinção de lagos e açudes e rios – a deposição acelerada de sedimentos e lixo nos rios, lagos e açudes pode ser tão intensa que provoca o fim da existência de uma fonte de água. Nos centros urbanos intensamente ocupados, esse fenômeno acontece de forma mais significativa.
  • Inundações – o rio assoreado, tem a profundidade do leito reduzida. Quando acontecem chuvas, a capacidade de comportar o grande volume de água, torna-se limitada. Assim, as águas dos rios transbordam e provocam inundações. Nas cidades, esse fenômeno traz muitas perdas materiais e humanas.
  • Prejuízo dos sistemas de captação de água - quando o assoreamento ocorrem em águas que são utilizadas para o abastecimento das cidades, pode provocar problemas tanto na disponibilidade de água, quanto na qualidade do recurso hídrico. É comum em rios assoreados – por lixo e esgoto – que a água apresente mau cheiro e risco sanitário.
  • Diminuição da biodiversidade – além da morte dos organismos que vivem no rio degradado por assoreamento, o alcance desse dano chega à fauna e à flora que dependem do curso d’água para a sua sobrevivência. Um rio assoreado não reduz apenas a quantidade de peixes, afeta também a vegetação e os animais no seu entorno.

Fontes

Assoreamento do reservatório do vacacaí-mirim e sua relação com a deterioração da bacia hidrográfica contribuinte - Paulo Roberto Jaques Dill http://w3.ufsm.br/enquadra/Trabalhos/DissAnteriores/Dill.pdf

TEIXEIRA et al. 2000. Decifrando a Terra, Ed. Oficina de Textos, São Paulo.

Erosão e assoreamento em áreas urbanas - Paula Soubhia, Uriel Bianchini Poli - USP http://www.pha.poli.usp.br/LeArq.aspx?id_arq=5043

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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

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O Instituto brasileiro de Geografia e EstatísticaIBGE – é o órgão responsável por realizar estudos e levantar dados quantitativos e qualitativos sobre elementos do território, da produção e da população brasileira. O órgão foi criado em 1930, no governo de Getúlio Vargas, e segundo o site do órgão, a sua missão é de “retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento da sua realidade e ao exercício da cidadania.”

A importância do IBGE

O IBGE ao longo de sua história, elaborou e produziu um robusto conjunto de estudos e pesquisas sobre os distintos enfoques, que permeiam as características demográficas e socioeconômicas da população brasileira.

Várias das suas pesquisas tiveram uma significativa contribuição para o delineamento de políticas públicas de âmbito social e econômico. Vale ressaltar que os dados coletados e fornecidos pelo IBGE auxiliam em muitas pesquisas tanto em campos disciplinares das ciências humanas – tais como a Geografia, História, Sociologia, Ciência Política, Relações internacionais – como nos campos das exatas e biológicas – Matemática, Biologia, Medicina, Estatística, economia e demais ciências da saúde.

Quais são as atividades do IBGE?

O IBGE, enquanto instituição pública, tem como dever realizar as seguintes atividades:

  • Análise e levantamento de informações estatísticas (população, renda, emprego, dentre outros);
  • Produção e análises de mapas e outras especificidades geográficas;
  • Disponibilização de dados relativos ao meio ambiente brasileiro;
  • Arquivamento e divulgação de diversos dados sobre a população do país;
  • Coordenação da produção de gráficos, dados e mapas sobre o território brasileiro.
  • De dez em dez anos, realização do Censo demográfico que é o recenseamento de toda a população do Brasil;

O Censo Demográfico é a principal fonte de referências sobre as condições de vida da população em todos os municípios do país. O censo coleta informações como características dos domicílios, emigração internacional; dados do morador e mortalidade da população.

O IBGE e sua abrangência

Por conta da abrangência de sua atuação, o IBGE está presente nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, em que cada unidade federativa há uma sede estadual. O objetivo é facilitar a categorização dos dados e possibilitar ao IBGE uma maior organização das informações obtidas. Segundo dados do instituto, existem 581 agências para coleta de dados municipais.

O papel do IBGE para as políticas públicas

O IBGE, enquanto órgão governamental cumpre importante papel no planejamento, criação e implementação de políticas públicas no país. Por exemplo, se o governo quer alcançar o objetivo de diminuir o número de pessoas situadas abaixo da linha da pobreza, logo ele buscará dados para compreender a atual situação socioeconômica da população brasileira a fim de ter ciência dos principais locais e situações que devem ter atenção específica frente a esse problema.

Nos dias atuais, o IBGE realiza pesquisas aplicadas em diversas áreas sociais do país. Coleta periodicamente, informações sobre saúde, habitação, comércio, serviços, trabalho, população, turismo, produção, economia e finanças públicas. Essas, são algumas das várias temáticas abordadas e que visam dar detalhes sobre o estado socioeconômico que o Brasil passa.

Ao coletar dados e avaliar as formas de gerir um determinado problema, a secretaria responsável ou o órgão poderá traçar metas para enfrentar e alcançar seu objetivo, conhecer os pontos mais passíveis de atenção e estabelecer planos de execução referentes às particularidades de cada local específico.

Podemos citar como exemplo, o Censo Demográfico de 2010, que detectou que o país passa por uma mudança em sua estrutura demográfica e revelou uma tendência que indica um processo de envelhecimento da sua população. Baseado nestes dados, é que surgiram as discussões sobre a Reforma da Previdência, que atualmente, é uma pauta governamental que se encontra no foco das discussões da política no país.

Em razão da importância da agricultura comercial no PIB do país, o IBGE, realiza também o Censo Agropecuário. Pesquisa que pretende investigar a realidade rural brasileira, conhecer o perfil socioeconômico do campo brasileiro e fornecer dados para o planejamento do setor agropecuário.

Referências bibliográficas:

https://www.ibge.gov.br/

https://fgvprojetos.fgv.br/sites/fgvprojetos.fgv.br/files/concursos/ibge/conhecendo_o_ibge-retificado(02_2016)-6aretificacao.pdf

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Destination: Férias na África

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Alguns destinos são completamente inspiradores. E, claro, um prato cheio de referências para as fashionistas. Mesmo sendo com o foco nas férias para relaxar, é incrível como não conseguimos nos desprender de tantas histórias que estes cenários nos remetem – porque, afinal, nem sempre é fácil ativar o modo “vacations” de forma completa e deixar de lado tudo que acompanhamos no business day.

Desta vez, uma coincidência muito especial. Luiza Sobral e Paulinha Sampaio elegeram a África do Sul como destino para recarregar as energias, ao lado da natureza. As paisagens clássicas, com composições de tons terrosos e esverdeados, que contrastam de maneira deslumbrante com o azul do céu, dão aquele toque incrível aos passeios nos safáris. O resultado? Em comum, a dupla investiu em peças utilitárias, com bolsos fole em macacões e calças cargo na cartela marrom. Para dar um destaque cool nas produções, lenços coloridos e óculos estilosos em formato redondo foram os eleitos como elementos de styling. Adorei as versões de scarves escolhidas por Luiza. Além de usar o acessório no pescoço, ela propôs uma ideia de transformá-lo em cinto.

Acompanhando todos os registros de Paulinha e Luiza, podemos ter uma certeza. O país, que já inspirou uma série de designers, tem uma magia única. O pôr-do-sol e a conexão com os animais, que estão em seu habitat, são essenciais para colecionar novas experiências e transformá-las em referências para o nosso dia a dia.



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Discurso de ódio

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O Discurso de Ódio é uma forma de pensamento, fala e posicionamento social que incita à violência contra diferentes grupos da sociedade. Pode ser verbalizado ou escrito e sua intenção é discriminar as pessoas devido a suas diferenças, sejam estas raça, cor, etnia, religião, orientação sexual, deficiências, classe etc. O Discurso de Ódio tem por base o ódio em si ao diferente e todos os preconceitos e prejuízos que decorrem desse sentimento. É considerado crime no Brasil e também um atentado aos Direitos Humanos.

Genericamente, esse discurso se caracteriza por incitar a discriminação contra pessoas que partilham de uma característica identitária comum, como a cor da pele, o gênero, a opção sexual, a nacionalidade, a religião, entre outros atributos. A escolha desse tipo de conteúdo se deve ao amplo alcance desta espécie de discurso, que não se limita a atingir apenas os direitos fundamentais de indivíduos, mas de todo um grupo social, estando esse alcance agora potencializado pelo poder difusor da rede, em especial de redes de relacionamento [...] (SILVA et al, 2011,p446).

O Discurso de ódio é uma ação discriminatória e pode estar relacionada também a intolerâncias de diversos tipos. A discriminação é a atitude de tratar as pessoas com desigualdade, enquanto a intolerância é o ato de não tolerar a existência do diferente, levando muitas vezes a atitudes de eugenia. A intolerância pode se manifestar no discurso de ódio. Este é considerado uma violência verbal e a base deste tipo de discurso é a não aceitação das diferenças entre as pessoas. Essas diferenças são consideradas elementos que distinguem os grupos sociais entre si e ainda conseguem identificar um grupo especifico, como a cultura, nacionalidade, religião etc.

Essa não aceitação pode levar a eugenia no sentido de que a eugenia é uma teoria presente no século XX que hierarquiza as raças humanas em termos de melhor qualidade genética. As atitudes eugenísticas são aquelas que vão classificar as pessoas em termos de melhores ou piores biologicamente, apesar de já se comprovar que as diferenças humanas são mais presentes na cultura do que na genética.

Este tipo de discurso é presente na sociedade e se apresenta de forma padronizada em determinados aspectos, pois ele nasce nos preconceitos sociais contra determinados segmentos e grupos, e se exacerba em atitudes de ódio contra a existência e o convívio com essas pessoas na sociedade. Ele é contrário à pluralidade humana e tende a hierarquizar as pessoas, de forma que considera algumas pessoas mais certas e mais humanas que outras. Por ser construído socialmente, baseado em preconceitos que aparecem ao longo da história da humanidade, como preconceitos étnico-raciais, de gênero, de culturas, com relação à deficiências e outros, ele não pode ser considerado uma opinião. A opinião tem por base os sentimentos e conclusões individuais, enquanto o preconceito é fomentado socialmente advindo de situações de dominação de um grupo sobre o outro. O discurso de ódio também não pode ser considerado uma opinião, pois ele incita e leva a violência e esta atitude é considerada crime no Brasil.

[...] no sentido de dividir o tal discurso em dois atos: o insulto e a instigação. O primeiro diz respeito diretamente à vítima, consistindo na agressão à dignidade de determinado grupo de pessoas por conta de um traço por elas partilhado. O segundo ato é voltado a possíveis “outros”, leitores da manifestação e não identificados como suas vítimas, os quais são chamados a participar desse discurso discriminatório, ampliar seu raio de abrangência, fomentá-lo não só com palavras, mas também com ações. (SILVA et al, 2011, p.448)

Um aspecto importante do discurso colonial é sua dependência do conceito de "fixidez" na construção ideológica da alteridade. A fixidez, como signo da diferença cultural/histórica/racial no discurso do colonialismo, é um modo de representação paradoxal [...]Do mesma modo, o estereótipo, que é sua principal estratégia discursiva, é uma forma de conhecimento e identificação que vacila entre o que está sempre "no lugar", já conhecido, e algo que deve ser ansiosamente repetido [...] Isto porque é a força da ambivalência que dá ao estereótipo colonial sua validade: ela garante sua repetibilidade em conjunturas históricas e discursivas mutantes; embasa suas estratégias de individuação e marginalização; produz aquele efeito de verdade probabilística e predictabilidade que, para o estereótipo, deve sempre estar em excesso do que pode ser provado empiricamente ou explicado logicamente [...] (BHABHA, 1998, p. 105-106).

Na Constituição de 1988, o artigo que legisla sobre preconceitos é o artigo 5º, que defende a igualdade de todos bem como os direitos e deveres do cidadão brasileiro e concorda com os Direitos Humanos. A Lei 7.716/89 é a lei brasileira que criminaliza os diferentes tipos de preconceitos na nossa sociedade. O discurso de ódio, por se basear em preconceitos e incitar a violência contra diferentes grupos sociais e minorias, é compreendido por esta lei como crime. Além de atacar a uma pessoa em específico, o discurso de ódio, procurando atacar todo um grupo social, fere os direitos difusos, que se referem aos direitos que se relacionam aos grupos sociais sem definição específica de pessoas.

Portanto, o discurso de ódio é um tipo de violência exercida por meio do discurso verbal ou escrito e tem por intenção discriminar, ofender, diminuir, agredir outras pessoas devido a suas condições sociais ou características étnicas, raciais, religiosas, culturais, de gênero e orientação sexual etc. Por violar o respeito à diversidade humana, à pluralidade e às liberdades civis e os direitos difusos é considerado crime no Brasil e em diversos outros países.

RefeRências

LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm.

Art. 5º da Constituição Federal de 1988. http://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_12.07.2016/art_5_.asp

BHABHA, Homi. O local da Cultura. Belo Horizonte-MG: Editora da UFMG, 1998.

DA SILVA, Rosane Leal et al. Discurso de ódio em redes sociais: jurisprudência brasileira. Revista direito GV, v. 7, n. 2, p. 445-467, 2011. http://www.scielo.br/pdf/rdgv/v7n2/a04v7n2

Oro, Ari Pedro. Intolerância religiosa Iurdiana e Reações Afro no Rio Grande do Sul. IN: SILVA, Vagner G. da (org.). Intolerância religiosa: Impactos do neopentecostalismo no campo religioso afro-brasileiro. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2007. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=uKew3ynPFS8C&lpg=PA29&ots=QzCAa_ukCn&dq=intoler%C3%A2ncia%20religiosa&lr&hl=pt-BR&pg=PA6#v=onepage&q&f=false

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Intolerância racial

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O termo intolerância é construído na legislação e nas discussões acadêmicas por oposição à tolerância. A intolerância racial não é o racismo ou o preconceito ou a discriminação. A intolerância racial é uma atitude de violência, física ou simbólica, baseada na negação do sujeito, de sua pessoa e de sua identidade, por este pertencer a um grupo étnico-racial determinado. Percebe-se, na história, que vários povos e grupos étnicos sofreram discriminação e intolerância. A intolerância racial é crime no Brasil e uma violação de Direitos Humanos.

A tolerância é uma atitude de respeito ao direito à diferença previsto na Legislação dos Direitos Humanos e na Constituição Federal. Por oposição, a intolerância seria não aceitar a diferença, porém isso pode ocorrer de várias maneiras. Assim, a discriminação ocorre no tratamento desigual entre as pessoas de diferentes grupos étnico-raciais e a intolerância como a atitude violenta contra pessoas por motivação étnico-racial.

Neste sentido, é importante pensar a definição de raça. Atualmente, a partir de pesquisas com os genes humanos sabe-se que não é possível definir raças humanas a partir de características genéticas.

Os geneticistas descobriram que a constituição genética de todos os indivíduos é semelhante o suficiente para que a pequena porcentagem de genes que se distinguem (que inclui a aparência física, a cor da pele etc) não justifique a classificação da sociedade em raças. Essa pequena quantidade de genes diferentes está geralmente ligados à adaptação do indivíduo aos diferentes meio ambientes. (SPINELLI, 2013).

No entanto, a construção relativa às ideias de raça são feitas ao longo da história humana. E o preconceito associado a esta ideia, o racismo, surge antes deste conhecimento biológico. E deriva da discriminação construída socialmente a partir das ideias de superioridade entre povos e etnias. A etnia é diferente da ideia de raça, pois leva em consideração também todos os caracteres culturais e sociais de um determinado grupo social. Apesar de a raça não existir, o racismo é uma atitude de preconceito real e combatida por lei.

[...]qualquer doutrina de superioridade racial é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa e deve ser rejeitada, assim como teorias que tentam determinar a existência de raças humanas segregadas. (NAÇÕES UNIDAS).

A “raça” não é uma condição biológica como a etnia, mas uma condição social, psicossocial e cultural, criada, reiterada e desenvolvida na trama das relações sociais, envolvendo jogos de forças sociais e progressos de dominação e apropriação. (IANNI, 2004, p.23)

A intolerância racial se baseia nas construções ideológicas do racismo para justificar suas ações de violência. A busca de uma teoria das raças em que algumas raças humanas seriam mais desenvolvidas que outras legitimaria que as ações de violência, subordinação, objetificação, exclusão etc. A intolerância racial não aceita a existência da diversidade humana e pensa de forma generalizante o preconceito. A intolerância acomete todas as pessoas que pertençam ao grupo definido como “raça”.

Toma cada “civilização” como se fosse “essências”, qualificáveis ou inqualificáveis, com referência ao padrão de civilização capitalista desenvolvida na Europa Ocidental e nos Estados Unidos da América do Norte. [...] em nome da “civilização ocidental”, colonizando, combatendo ou mutilando outras “civilizações”, outros povos ou etnias. [...] desde o início dos tempos modernos, como exigências da “missão civilizatória” do Ocidente, como “fardo do homem branco”, como técnicas de expansão do capitalismo, visto como modo de produção e processo civilizatório. (IANNI, 2004, pp.22-23).

Um segredo da constituição da “raça”, como categoria social, está na acentuação de algum signo, traço. Característica ou marca fenotípica por parte de uns e de outros, na trama das relações sociais. Simultaneamente, na medida em que o indivíduo em causa, podendo ser negro, índio, árabe, judeu, chinês, japonês, hindu, angolano, paraguaio ou porto-riquenho, está em relação com outros, aos poucos é identificado, classificado, hierarquizado, priorizado ou subalternizado. (IANNI, 2004, p.23).

A ação de escolher uma marca para um grupo e discriminá-lo por apresentar esta marca é chamada de estigmatização. Para autores como Homi Baba, a estigmatização pode ser um processo de colonização. Os grupos sociais são divididos entre os iguais e a negação do igual, que é o outro. O outro é estigmatizado e constantemente definido. Os iguais são definidos como a negação do outro, ou seja, o comum e o que já é conhecido.

Conforme sugerem Adorno, Sartre e outros, o intolerante, preconceituoso ou racista, inventa o objeto de sua intolerância, ódio, agressão, podendo ser negro, árabe, judeu; por diferente, surpreendente. (IANNI, 2004, p.24)

A psicanálise lembra que as mais estranhas manifestações de intolerância são reservadas às pessoas “estranhas” que tentam agir e falar como aqueles que se julgam “cidadãos natos” e “autênticos”. Quanto mais estes “estranhos” tentam emular e imitar, isto é, quanto mais eles tentam “pertencer”, mais feroz aparece a rejeição. [...]Partindo da sua teoria do narcisismo, Freud abordou os mecanismos de intolerância, segregação e violência existentes na cultura para explicar como humanos vivendo em sociedades teriam propensão à agressão uns contra os outros. Haveria um processo no sentido de estigmatizar o outro com pequenas diferenças que construiriam o estranhamento desse outro e a segregação nos grupos. (FANTINI, 2014).

Fantini coloca como a intolerância se dá enquanto supressão de direitos em sociedade. A pessoa que exerce a intolerância racial acredita que as pessoas vítimas deste processo não tem o direito de serem iguais, terem as mesmas atitudes, falas, posturas, acessos que os demais cidadãos. A busca por acentuar a diferença entre as pessoas leva à estigmatização de grupos sociais. Para Homi Baba, essa estigmatização é passada entre as gerações e os preconceitos se tornam hereditários até serem combatidos com diferentes atitudes, como a educação, legislação etc.

Em 1968, o Brasil assinou a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, hoje ratificada por 170 Estados. O documento define a discriminação racial como toda a distinção ou exclusão baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica, que tenha por resultado anular ou restringir o livre e pleno exercício dos direitos humanos. (JORNAL DA USP, 2016).

A legislação brasileira que estabelece regras contra a discriminação e a intolerância racial se refere ao Artigo 5º da Constituição Federal, à Lei nº 1.390/1951, Lei nº 7.716/1989 e Lei 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial). A intolerância racial é uma violação dos Direitos Humanos por ferir o direito de igualdade. A ONU considera o dia 21 de Março como o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial.

No Brasil, podemos dizer que as ações afirmativas caminham hoje em sentido diferente, especialmente se pensarmos no projeto político desenvolvido durante a ditadura militar dos anos 1970, onde havia um massivo esforço de propaganda para unir a nação “como um só povo”, um projeto político nacionalista que defendia uma confrontação à “ameaça vermelha” do comunismo como uma ameaça representada pelo outro. Nesse sentido, as políticas de igualdade, depois dos anos 2000, têm agora outra direção. No entanto, o resgate histórico das desigualdades do passado com particular relevo para o legado da escravidão e o extermínio das nações indígenas, ainda não foi feito com a devida elaboração (ducharbeiten) histórica. Passamos, assim, de um regime de alta densidade em termos de políticas de identidade nacional, como parte de uma política de Estado marcada pela intolerância, para um estado de abertura do país, caracterizado pela grande internacionalização econômica e intensa mobilidade social. (FANTINI, 2014)

A intolerância racial se baseia na não aceitação da diferença e a tentativa de supressão do diferente, enquanto os discursos de afirmação de direitos se baseiam na convivência e harmonia das diferenças enquanto características humanas. Assim, a intolerância racial é uma manifestação violenta de preconceitos contra pessoas baseadas nas diferenças étnico-raciais.

Referências:

BRASIL. LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm

BRASIL. LEI Nº 12.288, DE 20 DE JULHO DE 2010. http://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12288.htm

SPINELLI, Kelly C. Raças humanas não existem como entidades biológicas, diz geneticista. Jornal UOL, São Paulo, 05/02/2013. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2013/02/05/racas-humanas-nao-existem-como-entidades-biologicas-diz-geneticista.htm

FANTINI, João Angelo. Aquarela da intolerância: racialização e políticas de igualdade no Brasil. Leitura Flutuante. Revista do Centro de Estudos em Semiótica e Psicanálise. ISSN 2175-7291, [S.l.], v. 4, n. 1, set. 2012. ISSN 2175-7291. Disponível em: <http://revistas.pucsp.br/leituraflutuante/article/view/11130/8161>. Acesso em: 12 jul. 2019

IANNI, Octavio. Octavio Ianni: o preconceito racial no Brasil. Estud. av.,  São Paulo ,  v. 18, n. 50, p. 6-20,  Apr.  2004 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142004000100002&lng=en&nrm=iso>. access on  12  July  2019.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142004000100002.

Bhaba, Homi K. O local da cultura. Belo Horiznte, UFMG, 1998 2003.

JORNAL DA USP. Racismo e suas formas de existência na sociedade brasileira. São Paulo. 22/07/2016. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/racismo-e-suas-formas-de-existencia-na-sociedade-brasileira/

NAÇÕES UNIDAS. ONU e a luta contra a discriminação racial. Disponível em: https://nacoesunidas.org/acao/discriminacao-racial/

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Capacitismo

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O Capacitismo (ableism) é a discriminação da pessoa com deficiência. E que, em decorrência da mesma, é considerada uma pessoa incapaz. O capacitismo, assim, é uma manifestação de preconceito para com as pessoas com deficiência ao pressupor que existe um padrão corporal ideal e a fuga desses padrões torna as pessoas inaptas para as atividades na sociedade. Essa padronização é chamada corponormatividade (able-bodiedness).

A corponormatividade é um conceito que acompanha as discussões sobre as discriminações de pessoas com deficiência, pois são considerados corpos “normais” aqueles que não apresentam deficiências, vendo as deficiências como falhas. Assim, um corpo sem deficiência é considerado um padrão a ser seguido. Neste movimento, ocorre a discriminação da pessoa com deficiência, pois a mesma é reduzida a sua condição de “deficiente”, o que é visto como ruim.

Pessoa com cadeira de rodas em frente a uma escadaria, sem rampas: capacitismo. Foto: Stastny_Pavel / Shutterstock.com

A discussão sobre o Capacitismo em língua portuguesa é recente e a Lei Nº 13.146, de 6 de julho de 2015, Estatuto da Pessoa com Deficiência, não traz o termo em suas normativas, porém orienta quanto as discriminações contra as pessoas com deficiência, que devem ser encaradas como violações de direitos.

Art. 4º Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.

§ 1º Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa de adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas. (BRASIL, 2015).

A prática do Capacitismo atinge a pessoa com deficiência de diferentes maneiras, como o acesso ao meio físico e a criação de barreiras para que exerçam atividades independentemente; e também como barreiras socioemocionais quando essas pessoas são tratadas como incapazes, dependentes, sem vontade ou voz própria para exprimir suas vontades. Tratar uma pessoa deficiente de forma infantilizada, incapaz de compreender o mundo, um problema em um serviço público por exigir acessibilidade, assexualizada, inferior ou que deva ser medicada e afastada do convívio comum dos demais cidadãos são exemplos de Capacitismo.

O Capacitismo nega a cidadania ao enfatizar a deficiência e não a pessoa humana. A fim de garantir o acesso à cidadania e à acessibilidade dos espaços e relações, as pessoas com deficiência são foco de políticas da ONU para assegurar a aplicação dos direitos humanos. Desta forma, em 13 de dezembro de 2006, a ONU cria Convention of the Rights of persons with Disabilities (CRPD). Existe essa necessidade pois, por vezes, essas pessoas são consideradas inaptas para exercer sua cidadania. Uma convenção e direitos específicos são as tentativas de trazer visibilidade para essas pessoas e buscar garantir seu acesso aos direitos humanos.

Em conformidade com as discussões e reivindicações quanto aos direitos das pessoas com deficiência, foi criado, no Brasil, o Estatuto da Pessoa com Deficiência. A fim de legislar sobre o caso, a lei define o que se entenderá como pessoa com deficiência.

Art. 2º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. (BRASIL, 2015).

A lei estabelece como diferentes instâncias e instituições sociais, como o trabalho, o Estado, a escola, a famílias entre outros, devem se comportar para garantir à pessoa com deficiência seu desenvolvimento independente e seus direitos a acessibilidade.

O controle de corpos e a busca do corpo perfeito é um tema discutido por diferentes filósofos, como Michel Foucault, quando trabalhará a ideia de biopoder, ou poder sobre a vida. Este poder se associa à medicalização da vida e à criação de patologias para os corpos que saem da normalidade. Essa normalidade, para o autor, é uma exigência de uma vida produtiva e funcional padronizada industrialmente.

O capacistimo é, assim, a discriminação das pessoas que fogem dos padrões corporais considerados normais e funcionais. Devido a isto, essas pessoas sofrem discriminações, tanto de criação de barreiras físicas e exclusão nos espaços, quanto de criação de barreiras sociais ao não se perceber esta pessoa como cidadã. As comissões políticas ocorrem para garantir que essas pessoas com deficiências sejam entendidas em suas particularidades e possam ter seus direitos humanos reafirmados e exercidos em todos os momentos.

Referências:

BRASIL. LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm

FURTADO, R. N. & CAMILO, J. A. de O. O conceito de biopoder no pensamento de Michel Foucault. Revista Subjetividades. Fortaleza, 16(3): 34-44, dezembro, 2016. Disponível em: https://periodicos.unifor.br/rmes/article/view/4800/pdf.

NAÇÕES UNIDAS. ONU lembra 10 anos de convenção dos direitos das pessoas com deficiência. 18/05/2016. Disponível em: https://nacoesunidas.org/onu-lembra-10-anos-de-convencao-dos-direitos-das-pessoas-com-deficiencia/

https://www.youtube.com/watch?v=iTLBZkzqtpk

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Dia da Árvore

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O "Dia da Árvore" no Brasil é comemorado dia 21 de setembro. A data escolhida antecede o início da primavera no hemisfério sul, que pode variar entre os dias 22 e 23 de setembro, dependendo do ano.

Em substituição ao chamado Dia da Árvore, foi criada a "Festa Anual das Árvores", instituída por meio do Decreto 55.797 de 24 de fevereiro de 1965. No Artigo 2º do Decreto é mencionado: "A Festa Anual das Árvores tem por objetivo difundir os ensinamentos sobre a conservação das florestas e estimular a prática de tais ensinamentos, bem como divulgar a importância das árvores no progresso da pátria e no bem-estar dos cidadãos.". Apesar de ter ocorrido a alteração em relação aos nomes, as instituições de ensino, a mídia e a população reconhece como Dia da Árvore.

Foto: lovelyday12 / Shutterstock.com

A data é celebrada com o intuito de incentivar a preservação das árvores e das florestas, conscientizar a sociedade sobre as consequências do desmatamento, poluição e outros vícios nocivos, além de ressaltar a importância das árvores no equilíbrio do ecossistema. As árvores proporcionam oxigênio por meio da fotossíntese, diminuição da temperatura do ambiente, permanência de várias espécies animais, diversos frutos e outros benefícios.

O "Dia Mundial da Árvore" é homenageado em 21 de março. A celebração mundial começou em 10 de abril de 1.872, em Nebraska (EUA), por meio da iniciativa do jornalista chamado Julius Sterling Morton, que incentivou a plantação de diversas árvores no Nebraska.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) criou em 1971, o Dia Mundial da Árvore, e em 2012, ela foi instituída por Assembleia Geral. O objetivo é conscientizar a humanidade sobre a importância dos ecossistemas florestais. A data 21 de março que foi escolhida representa o primeiro dia de primavera nos países do hemisfério norte.

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Dia da Imprensa

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O "Dia da Imprensa" no Brasil é comemorado em 1º de junho, data que iniciou a circulação do jornal Correio Brasiliense, fundado por Hipólito José da Costa. No entanto, até 1999, o Dia da Imprensa era comemorado em 10 de setembro, pois em 1808 neste mesmo dia, ocorreu a primeira circulação do jornal Gazeta do Rio de Janeiro.

A imprensa é fundamental na sociedade, sendo por meio dela transmitida as principais informações e notícias do mundo todo. Os meios de comunicação como internet, televisão, rádio, jornais e revistas são exemplos de representação da imprensa. Esses meios devem ser pautados pela ética, verdade, imparcialidade e fatos bem fundamentados.

Foto: stockphoto mania / Shutterstock.com

A liberdade de imprensa deve existir em todas as nações democráticas. Ela tem um papel muito importante, e muitas vezes, acaba não apenas informando, mas também, denunciando, transformando e revolucionando. Alguns exemplos de denúncias ocorridas nos últimos anos, podemos citar casos de corrupção, estelionato, peculato, associação criminosa, tráfico de influência, entre outros.

A imprensa possui extrema influência sobre o público, por isso, também é conhecida como o "quarto poder", que faz uma referência aos três poderes formais: executivo, legislativo e judiciário. Na época da Ditadura Militar por exemplo, sofria constante censura, ainda assim, podemos ver casos atuais da própria democracia o reflexo da autocensura. Neste caso de autocensura, podemos citar jornais impressos que não publicam determinadas notícias para não prejudicar grupo econômico ou político que se voltaria contra o periódico.

No dia 3 de maio é celebrado o "Dia Internacional da Liberdade de Imprensa". A data foi oficializada em 1993 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo da criação é ressaltar os princípios fundamentais da liberdade de imprensa no mundo todo, além de prestigiar jornalistas que perderam a vida exercendo a profissão.

Infelizmente muitos ainda países violam este direito. Publicações e empresas são censuradas, multadas, suspensas e fechadas. Profissionais (jornalistas, editores, redatores, etc.) são perseguidos, atacados, detidos e até assassinados.

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Classificação climática de Köppen-Geiger

" A Classificação climática tem como intuito agrupar os diferentes segmentos do planeta associando-os de acordo com os índices climátic...