Materiais e equipamentos de laboratório

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Os laboratórios químicos fazem uso de diversos tipos de vidrarias, materiais e equipamentos para que as análises possam ser realizadas com a maior precisão possível, são utilizados também descartáveis e consumíveis de uso único, além dos equipamentos de proteção individual e coletiva, que fazem parte das rotinas.

A seguir, veremos uma relação com diversos materiais e equipamentos que são utilizados nas rotinas analíticas em laboratórios e para que finalidade são utilizados.

Agitador / Aquecedor Magnético

É um equipamento utilizado para aquecer e agitar soluções, através da utilização de “peixinho” dentro do recipiente que contém a solução a ser agitada, através de campo magnético que fixa o peixinho no fundo do recipiente, o mesmo realiza movimentos circulares que agitam e uniformizam a solução. Alguns equipamentos possuem aquecimento na placa agitadora, aquecendo e misturando a solução ao mesmo tempo.

Barra Magnética para Agitador

São barras magnéticas em diferentes formatos e tamanhos, popularmente conhecidas como “peixinho” que são inseridas no recipiente que contém a solução a ser agitada através do equipamento de agitação magnética.

Almofariz com pistilo

Confeccionado normalmente em material cerâmico ou em vidro, é utilizado para trituração e maceração de sólidos em pequena escala, a fim de diminuir o tamanho das partículas, facilitando a dissolução em meio aquoso.

Almofariz e pistilo. Também chamado de cadinho. Foto: Studio 37 / Shutterstock.com

Béquer ou Becker

Podem ser feitos em vidro (Borosilicato) ou material plástico (Polipropileno), possuem diversos volumes disponíveis, comumente confeccionados em formato cilíndrico com fundo chato e diferentes alturas e diâmetros. São graduados, contudo oferecem medidas pouco precisas. Podem ser aquecidos (normalmente para este fim utilizam-se os feitos em vidro), sobre telas de amianto, em aquecedores, estufas, etc. Os béqueres são vidrarias simples de laboratório que normalmente são utilizados para trabalharmos com líquidos, ou com sólidos dissolvidos em meios líquidos.

Béquer. Foto: chromatos / Shutterstock.com

Balão de fundo chato

Normalmente são fabricados em vidro (Borosilicato) ou plástico (Polipropileno) com diversos volumes disponíveis. São utilizados para conter líquidos ou gases, podem ser aquecidos (normalmente para este fim utilizam-se os feitos em vidro), sobre telas de amianto, em aquecedores, estufas, etc., e são muito utilizados para o preparo e diluição de soluções com agitação manual ou em agitadores magnéticos. Quando calibrados, possuem volumetria bastante precisa

Balão de fundo chato. Ilustração: Matthew Cole / Shutterstock.com

Erlenmeyer

Serve para recolher frações de materiais destilados ou para conter misturas que serão homogeneizadas.

Erlenmeyer. Foto: totojang1977 / Shutterstock.com

Erlenmeyer. Foto: totojang1977 / Shutterstock.com

Balão de fundo redondo

Balão de fundo redondo. Foto: smereka / Shutterstock.com

Tubos de ensaio

Recipientes de vidro onde ocorrem reações e análises. Também utilizados para coleta de amostras em pequena quantidade.

Tubo de ensaio. Foto: K-Kwan Kwanchai / Shutterstock.com

Anel ou argola

Suporte confeccionado em metal que sustenta o funil. Fica preso à uma haste no Suporte Universal.

Bureta

Trata-se de um aparelho utilizado para análises titulométricas e volumétricas. Composto por um tubo de parede uniforme com graduação na parte externa, com linhas bem delineadas para facilitar a leitura. Possui em sua extremidade inferior uma torneira para controlar o fluxo de líquido que sai do aparelho.

Bureta. Foto: i4lcocl2 / Shutterstock.com

Bastão de vidro

Trata-se de um bastão fino de vidro que é utilizado para agitar soluções e auxiliar no momento de transferir soluções entre recipientes.

Bastão de vidro sendo utilizado para misturar solução em Erlenmeyer. Foto: Shuttertum / Shutterstock.com

Balança de precisão

É um equipamento utilizado para media a massa de reagentes e compostos, que possui alta precisão na pesagem, e pode ser classificada de acordo com sua precisão na pesagem em: Balanças Industriais, Balanças de uso geral, Balanças semi-analíticas e Balanças analíticas.

Balança de precisão. Foto: Timof / Shutterstock.com

Bico de bunsen

Trata-se de um equipamento que possui uma chama de elevada intensidade, que é amplamente utilizado para aquecimento de soluções em laboratório e criação de ambientes estéreis.

Bico de Bunsen. Foto: Italianvideophotoagency / Shutterstock.com

Deionizador de água

É utilizado para remover cátions e ânions, metais pesados, entre outros componentes químicos que podem influenciar as análises e produção de compostos químicos.

Cabine de fluxo laminar

Trata-se de um equipamento onde são feitos procedimentos químicos e biológicos que possui direcionamento uniforme do fluxo de ar dentro da cabine, evitando contaminação com o meio externo.

 

Capela

É um equipamento utilizado para dissipar gases nocivos. Utiliza-se a capela para realizar trabalhos com soluções voláteis, ácidos fortes, bases fortes, entre outros.

Cápsula de porcelana

É utilizada para realizar evaporação de compostos, calcinação, secagem e outras análises. Pode ser utilizada diretamente no fogo ou sobre tela de amianto.

Cromatógrafo

É o equipamento utilizado para realizar análises cromatográficas. Tem por finalidade a separação e purificação de misturas através da detecção de massas por afinidade com a coluna cromatográfica utilizada.

Cromatógrafo. Foto: khawfangenvi16 / Shutterstock.com

Condensador

Realiza a condensação de vapores e gases através da circulação de água na parte externa do equipamento. Podem ser dos tipos Liebig (retos), os de bolas e os de serpentina. Seus tamanhos são variáveis, e vão normalmente de 10 cm à 170 cm.

Condensador. Foto: chromatos / Shutterstock.com

Coluna de fracionamento

É um equipamento utilizado para realizar o fracionamento de destilados. Pode ser utilizado em processos analíticos laboratoriais e industriais. Utilizado no craqueamento do petróleo.

 

Dessecador

É um equipamento utilizado para manter substâncias higroscópicas que passam por processo de secagem ou desumidificação em um ambiente onde há pouca ou nenhuma umidade, em seu interior é adicionado Silica Gel, que absorve a umidade do ambiente interno do dessecador para si. O equipamento é mantido com pressão positiva em seu interior através de vácuo e sua tampa é lubrificada com vaselina sólida ou silicone e vedada hermeticamente para que o ar externo não penetre o interior do equipamento.

Dessecadores. Foto: NATTHAWAT101 / Shutterstock.com

Espectrofotômetro

É um instrumento analítico que mede a intensidade de radiação para cada comprimento de onda do espectro visível de uma determinada substância (amostra ou espécime). Utilizado em análises biológicas e químicas. Pode ser de dois tipos: Feixe Simples e Duplo Feixe.

Espectrofotômetro. Foto: sruilk / Shutterstock.com

Estante para tubos de ensaio

São prateleiras utilizadas para alocar os tubos de ensaio, evitando queda dos mesmos durante sua utilização.

Suporte para tubos de ensaio. Foto: Kai Keisuke / Shutterstock.com

Funil de Büchner

É um instrumento de laboratório feito em porcelana que possui orifícios em seu interior. Utilizado juntamente com frasco Kitassato, para realizar filtrações à vácuo.

Funil de Büchner. Foto: Alljal from ja [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html) or CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/)], via Wikimedia Commons

Funil de Büchner. Foto: Alljal from ja [GFDL ou CC-BY-SA-3.0], via Wikimedia Commons

Funil de Bromo

É um balão de vidro que é acoplado à uma argola de ferro em um suporte universal, onde é inserida uma mistura heterogênea para realização do processo de decantação. Na sua parte inferior possui uma saída com uma torneira para controle do fluxo das fases da mistura após decantação.

Funil de bromo. Foto: PNOIARSA / Shutterstock.com

Funil de vidro

Trata-se de um instrumento de vidro para realização do processo de separação de misturas através da filtração. Um seu interior é alocado um papel filtro (meio filtrante) e em seguida a mistura de interesse passa pelo sistema onde a parte sólida fica retida no papel filtro (formando a torta) e a parte líquida sai pela parte inferior do funil (filtrado).

Funil de vidro. Ilustração: Matthew Cole / Shutterstock.com

Funil de vidro. Ilustração: Matthew Cole / Shutterstock.com

Frasco de Kitassato

Recipientes de vidro que possuem uma ou mais saídas laterais onde acopla-se o sistema de pressão para a sucção do filtrado. Utilizado em filtrações à vácuo.

Kitassato ou Frasco de Büchner. Foto: Danielle Keller [public domain] / via Wikimedia Commons

Kitassato ou Frasco de Büchner. Foto: Danielle Keller [public domain] / via Wikimedia Commons

Placas de Petri

Utilizadas comumente em laboratórios biológicos como recipiente para cultura de bactérias e células. Também pode ser utilizado para realizar análises de concentração de componentes de misturas, em processo tradicional de secagem em estufa e pesagem.

Cientista segurando placa de Petri. Foto: arrideo / Shutterstock.com

Pipeta graduada

Utilizada para medir e transferir soluções e líquidos. Possui graduação para medição de volume.

Pipeta graduada. Foto: Rabbitmindphoto / Shutterstock.com

Pipeta volumétrica

Utilizada para medir e transferir soluções e líquidos. Possui volume definido e calibrado, não podendo ser utilizado para medir volumes diferentes dos quais as mesmas são fabricadas para medir. São muito mais precisas que as pipetas graduadas.

Pipetas volumétricas. Foto: Rabbitmindphoto / Shutterstock.com

Pissete ou Pisseta

Recipiente feito normalmente em Polipropileno, utilizado para alocar soluções e reagentes, tais como a água destilada ou deionizada, detergentes, entre outros. Possui em sua parte superior bico aplicador para transferir o líquido da pisseta para o recipiente de interesse sem que o líquido espirre.

Pissetas. Foto: science photo / Shutterstock.com

Pinça metálica

Utilizada para remover e manusear reagentes sólidos, utensílios quentes, materiais para descarte, entre outros.

Micropipeta

Utilizada para transferir e medir pequenos volumes (microlitros) de soluções. Muito utilizadas em aplicações que requerem precisão.

Micropipeta. Foto: SatawatK / Shutterstock.com

pHmetro

São equipamentos analíticos que realizam a medição do potencial hidrogeniônico (pH) das soluções através de um eletrodo. Podem ser dos tipos de bancada ou de bolso.

pHmetro. Foto: photong / Shutterstock.com

Proveta

Recipiente volumétrico para medir líquidos com média / baixa precisão. Também é utilizado para realizar transferências de soluções para outros recipientes com maior facilidade.

Provetas. Ilustração: DesignPrax / Shutterstock.com

Refratômetro

Equipamento Analítico que mede o índice de refração da luz de uma amostra translúcida. Pode ser digital ou analógico.

Refratômetro. Foto: Halawi / Shutterstock.com

 

Bastão ou baqueta: é um bastão maciço de vidro. Serve para agitar e facilitar as dissoluções ou manter massas líquidas em constante movimento.

Bastão de vidro dentro de um béquer. Foto: chromatos / Shutterstock.com

Bastão de vidro dentro de um béquer. Foto: chromatos / Shutterstock.com

Proveta ou cilindro graduado: Serve para medição aproximada de volumes maiores de líquidos.

Provetas. Ilustração: DesignPrax / Shutterstock.com

Provetas. Ilustração: DesignPrax / Shutterstock.com

Suporte universal

Utilizado para sustentar outros utensílios tais como garras, argolas, anéis, entre outros.

Tela de amianto

Utilizada para sustentar recipientes que serão aquecidos com uso do Bico de Bunsen, evitando contato direto da chama com o recipiente. A placa de amianto presente na tela distribui o calor uniformemente na base do recipiente.

Tripé de ferro

Utilizado para alocar a tela de amianto e sustentar a vidraria que será aquecida através do uso de Bico de Bunsen.

Tripé de ferro. Foto: Rabbitmindphoto / Shutterstock.com

Tamisadora

É um equipamento utilizado para realizar análise granulométrica em sólidos, constituído de uma mesa agitadora e uma coluna de peneiração, com uma panela (peneira fechada que retém as partículas mais finas) na base da coluna e diversas peneiras com diferentes malhas (cada malha possui um mesh que é a quantidade de espaços por polegada linear). Os sólidos atravessam as malhas em ordem decrescente de tamanho de partícula, sendo alimentadas de cima para baixo.

Tamisadora da marca WS Tyler.

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Diabo-da-tasmânia

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O diabo ou demônio-da-tasmânia (Sarcophilus harrisii) é um mamífero da infraclasse dos marsupiais, família Dasyuridae. É encontrado na Ilha da Tasmânia, mas há registros fósseis de que ele já existiu em outros lugares da Austrália, há milhares de anos. Estão distribuídos por toda Tasmânia, principalmente em áreas de pastagem e regiões costeiras saudáveis. Mas ocorrem também nas áreas urbanas, florestas secas, mistas e úmidas. São animais que usam tocas, ocos de árvore e cavernas.

É um animal símbolo da ilha da Tasmânia, muito conhecido pelo personagem Taz, da Looney Tunes.

Características

O diabo da tasmânia tem coloração preta, com coloração branca nas bochechas, no dorso e uma faixa em forma de colar. Lembra o físico de um urso, mas possui rabo. Tem concentração de gordura na cauda, que ajuda no equilíbrio de movimentos. Indivíduos mais saudáveis, possuem caudas mais grossas. A sua mandíbula é forte e têm molares adaptados para esmagar ossos e rasgar carnes. O peso pode variar de 5 a 12 kg, dependendo da disponibilidade de recursos, tipo de habitat e idade do animal. Geralmente os machos são maiores. O marsúpio permanece fechado durante toda a reprodução e as fêmeas possuem 4 mamas. Pode chegar a medir 80 cm de comprimento.

Diabo-da-tasmânia. Foto: David Steele / Shutterstock.com

São animais noturnos e geralmente solitários, mas não são territorialistas, apesar de haver brigas e disputas agressivas quando dividem uma carniça. Podem tomar banhos de sol durante o dia, em tocas que eles mesmos cavam e constroem, com folhas e galhos. São onívoros e se alimentam de vegetação, insetos, larvas, pequenos vertebrados, mas não são considerados bons caçadores, normalmente se alimentam de carniça de animais maiores. Usam bem a audição e olfato para forragearem na busca de alimentos. Quando encontram um animal grande morto, podem juntar-se em mais de um indivíduo, apresentando comportamentos agressivos específicos, um contra o outro, como vocalização, postura do corpo, etc.

Poucos predadores comem indivíduos adultos desta espécie, seu predador natural é o lobo da Tasmânia, segundo registros. A predação ocorre mais em jovens e filhotes, por aves rapinantes grandes. É o segundo maior predador da ilha, contribuindo para o controle populacional de suas presas e tem um importante papel ecológico importante no ecossistema, já que é um grande consumidor de carniças.

Reprodução

O período reprodutivo é de maio a junho, com pico geralmente entre março e abril. São promíscuos e os machos disputam as fêmeas para se acasalarem. Nascem de 2 a 4 filhotes, depois de uma gestação de até 22 dias. Os filhotes sobem para a bolsa, para acabar de se desenvolverem, onde ficam por 4 a 5 meses. Entre o 6° e 8° mês um demônio da Tasmânia se torna independente e alcança a maturidade sexual por volta dos 2 anos de idade. A taxa de mortalidade de jovens é bem alta, mas os que conseguem chegar à vida adulta, vivem, em média, 5 anos na natureza.

Na base da cauda há presença de glândulas que secretam substâncias para comunicação social e demarcação, lhe dando um cheiro bem característico.

Ameaças

É interessante lembrar que por ser uma espécie insular, sofre com efeito fundador e tem baixa diversidade genética. Essas características podem deixar essa população mais frágil e menos resistente a doenças.

Durante a colonização da ilha, as populações de diabos da Tasmânia reduziram drasticamente, por perseguição de humanos. Acreditava-se que ele era responsável por morte de animais de criação. Na década de 40, deram início a projetos de proteção desta espécie, que voltou a ser ameaçada após ser atingida fortemente com uma doença neoplásica. É um tipo de tumor transmissível, que se desenvolve por toda a face e leva à morte, em 100% dos casos. Existem projetos de manejo em cativeiro para ajudar na manutenção desta espécie.

Atropelamento, perda de habitat e perseguição são as maiores ameaças a estes animais. Atualmente, a introdução de raposas vermelhas no mesmo habitat, tem aumentado a competição com o diabo da Tasmânia, o que pode dificultar seu restabelecimento.

Referências:

https://animaldiversity.org/accounts/Sarcophilus_harrisii/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Diabo-da-tasm%C3%A2nia

MILLER, W.; et al. (2011). «Genetic diversity and population structure of the endangered marsupial Sarcophilus harrisii (Tasmanian devil)». Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. 108 (30): 12348-12353.

JONES, M. (2003). JONES, M.; DICKMAN, C.; ARCHER, M. (eds.), ed. Predators with Pouches. The Biology of Carnivorous Marsupials. Collingwood, Victoria: CSIRO Publishing. pp. 285–296

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Suricate

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Os suricates, suricatos ou suricatas (Suricata suricatta) são mamíferos da família Herpestidae. São distribuídos por locais da África do Sul, Botswana, Moçambique e Zimbábue, se concentrando bem na parte sul da África. São encontrados em áreas abertas de savana e nas planícies.

Características

Estes animais medem até 28 cm, sendo que usam o rabo como apoio para ficarem em pé. Machos e fêmeas tem pesos próximos, com uma média de até 730 g. Podem alcançar 60 cm de comprimento. Têm um padrão de listas individual para cada bicho, que vai do ombro até a base da cauda, de forma paralela entre elas. Geralmente têm a coloração acinzentada, amarronzada ou marrom indo para o prateado, vai depender da localidade. Não são animais robustos, são delgados e possuem garras desenvolvidas nas patas dianteiras, para escavação. A sua longevidade é de até 10 anos de idade, da natureza.

Suricates (Suricata suricatta). Foto: anek.soowannaphoom / Shutterstock.com

Reprodução

Tanto macho, quanto fêmea começam a reproduzir por volta de um ano de idade, em qualquer época do ano, dependendo das condições ambientais favoráveis, de recursos. Não há uma estadia reprodutiva, onde várias fêmeas entram no cio, elas têm processos independentes. Mas em seu habitat natural, preferem períodos de chuva e de fartura de comida.

Há uma espécie de luta entre macho e fêmea pré-cópula, até que o macho consiga segurar a fêmea e acasalar. Uma mãe tem geralmente 3 filhotes por gestação, que pode durar em torno de 11 semanas e se repetir até 3 vezes ao longo do ano. Nascem com olhos e ouvidos fechados e são estimulados com lambidas, pela mãe, para urinar e defecar. Os olhos e orelhas começam a abrir por volta dos 10 dias de nascimento. São desmamados aos dois meses e os pais podem contribuir no cuidado parental com os filhotes, dentro do sistema da colônia.

Constroem túneis subterrâneos complexos e são animais diurnos, onívoros, que se alimentam de plantas, ovos, artrópodes como milípedes, escorpião, aranhas e insetos, podendo predar até mesmo pequenas aves, anfíbios e répteis, como serpentes. Eles buscam comida durante o dia, mas se a temperatura estiver muito elevada, eles entram nas tocas para se refrescarem. Além disso, em dias frios e chuvosos, eles ficam dentro das tocas para se manterem aquecidos. Cada toca pode ter 5 metros de comprimento, com múltiplas salas e entradas.

Comportamento Social

São animais coloniais, que vivem em até 40 indivíduos, com alguns grupos familiares. Esta espécie possui um sistema social bem elaborado, no qual eles dividem as tarefas diárias, como por exemplo, membros que cuidam dos filhotes, como babás, enquanto os outros formam um grupo de caça, forrageando em busca de alimento. Uma parte do grupo não reproduz, ajudando na guarda e cuidado dentro dele. Cada grupo social pode ter até 3 núcleos familiares, que tem um casal reprodutor e os descendentes que contribuem na realização de tarefas. Quando o macho chega na idade reprodutiva, geralmente ele deixa o bando em busca de fêmeas para fundar seu próprio grupo.

Suricate no deserto do Kalahari, atento ao ambiente em sua volta. Foto: EcoPrint / Shutterstock.com

Uma função interessante dentro dos grupos, é o de sentinela, que pode alternar durante o dia. Ele é o responsável por ficar na guarda, observando o ambiente à volta, e dá o alerta com a chegada de predadores. Os indivíduos possuem uma comunicação específica para cada tipo de predador e ensinam aos mais jovens como reagir de forma distinta, para cada tipo de ataque. Por exemplo, contra as cobras, eles as enfrentam e as atacam, podendo se alimentar delas; contra aves eles entram nas tocas, para esconderijo, etc. Quando querem mostrar sua força de ataque, eles ficam apoiados nas quatro patas, com as costas arqueadas e os pelos eriçados, cauda ereta, para parecerem grandes e perigosos, cuspindo e fazendo vocalizações de alarme. Além de lutarem contra predadores, existem confrontos entre grupos rivais.

São animais importantes ecologicamente, uma vez que além de servirem de alimento na cadeia alimentar, fazem controle populacional das suas próprias presas. Em alguns lugares são considerados praga, por serem portadores de doenças e pelas galerias que constroem embaixo da terra.

Referências:

https://animaldiversity.org/accounts/Suricata_suricatta/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Suricata_suricatta

https://kids.nationalgeographic.com/animals/mammals/meerkat/

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Javali

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O javali (Sus scrofa) é um mamífero artiodactyla (animais ungulados - com número par de dedos na pata), pertencente à família suidae. Esta espécie é originária da Europa e da Ásia, mas foi introduzida em vários lugares do mundo e hoje existe em todos os continentes, só não está presente na Antártida. A subespécie mais comum é a Sus scrofa scrofa (Javali-europeu) e Sus scrofa domesticus (porco doméstico).

Habitam diversos tipos de ambiente. Se adaptaram ao calor e ao frio, apesar de preferirem temperaturas amenas. Vivem desde savanas, áreas florestais, áreas agrícolas, pântanos, até áreas com temperatura severa e neve. Mas precisam de vegetação para se esconder dos predadores e água por perto.

Javalis (Sus scrofa). Foto: Dirk M. de Boer / Shutterstock.com

Características

Os javalis variam seu peso, conforme a disponibilidade de recursos da área em que vivem, mas um macho pode pesar até 270 kg e uma fêmea até 200 kg. Podem atingir um metro de altura e até 2 metros de comprimento, contando com a cauda. Já foi registrado indivíduos com mais de 300 kg.

Possuem caninos superiores voltados para cima, chegando a medir 12 cm para fora da boca. Os machos possuem caninos maiores, que são utilizados para competir com outros machos e para se defenderem contra predadores. São animais fortes, que podem levantar estruturas de 50 Kg. É onívoro e fuça o dia todo em busca de frutos, raízes, sementes, matéria vegetal em geral. Tomam banho de lama para regular a temperatura corpórea, uma vez que não possuem glândulas sudoríparas, para proteção contra insetos e parasitas e podem usar dos odores da lama para relações sociais e estratégias reprodutivas. Forrageiam geralmente no anoitecer, mas podem fazer também durante o dia.

Reprodução

Esses porcos vivem em grupos matriarcais grandes que podem ter uma centena de indivíduos e são formados por fêmeas aparentadas. Já os machos deixam o bando entre 1 e 2 anos de idade e vivem solitários, até encontrar os grupos de fêmeas durante o período de acasalamento. São animais competitivos e lutam para se acasalarem com as fêmeas.

O período reprodutivo será influenciado pelo clima e a disponibilidade de recursos, podendo ser em qualquer época do ano. Uma fêmea pode ter duas ninhadas, por ano e a gestação dura de 108 a 120 dias, nascendo de 2 a 3 filhotes. Eles são desmamados entre a 8ª e 12ª semana após o nascimento. Machos atingem a maturidade sexual por volta dos 5 a 7 meses e as fêmeas aos 10 meses, mas continuam crescendo até os 5 anos de idade. Os machos não ajudam a cuidar dos filhotes, já as fêmeas fazem um trabalho coletivo no cuidado com suas crias. Quando se deslocam, os jovens ficam no centro do grupo, enquanto a frente e a retaguarda ficam protegidos pelos adultos. Podem viver até 10 anos de idade, na natureza.

Javali selvagem. Foto: Michalicenko / Shutterstock.com

Javali no Brasil

No Brasil, existe o híbrido de porco doméstico, com javali, é o que chamamos de javaporco. Por volta da década de 90, iniciou-se os processos de introdução através das fronteiras com Argentina e Uruguai, no Sul do país e com a soltura irregular de criadores. O javali, por ser um animal exótico, não tem predador natural aqui, o que provoca um desequilíbrio populacional. Como vive bem numa diversidade de ambientes e tem facilidade de reproduzir com o porco doméstico, este animal vem causando desequilíbrio ambiental, sendo praga em muitos locais.

Seu modo de vida e a população grande causa impacto em regiões florestais e nas áreas agrícolas, levando a prejuízos econômicos, além de ser reservatório de doenças para animais domésticos e para o próprio homem.

Existe regulamentação para a caça desta espécie, que é liberada no Brasil. Mas isso não tem sido suficiente para o controle das tantas populações que vem crescendo, no país. Cada estado e município age independente, muitas vezes. É essencial que sejam desenvolvidas práticas de gestão de fauna unindo os estados, com um consenso entre a academia, conservacionistas e os tomadores de decisões, podendo estabelecer uma política de manejo mais certeira.

Referências:

https://animaldiversity.org/accounts/Sus_scrofa/

Oliveira CHS (2012) Ecologia e Manejo de javali (Sus scrofa L.) na América do Sul. Dissertação, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Javali

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Haute Couture Fall 2020: Chanel, Givenchy e Valentino

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A temporada de Alta Costura é sempre um encanto sem fim. Cada apresentação é um verdadeiro sonho, com suas peças preciosas e shows que seguem à risca toda a proposta luxuosa e elegante da coleção. Diferente dos desfiles de Prêt-à-Porter, a Haute Couture é limitada e apenas algumas poderosas grifes podem participar. Um dos requisitos? O desenvolvimento das roupas são 100% manual, com direito a bordados, aplicações e cortes impecáveis.

Sem dúvidas, entre as mais aguardadas estava a Chanel. Por ser a primeira coleção de Couture feita por completo por Virginie Viard, a curiosidade estava altíssima. Para o seu debut, a estilista escolheu transformar o Grand Palais em uma biblioteca inspirada na versão original do apartamento de Gabrielle Chanel na rue Cambon. Na passarela, vestidos em forma de mantôs compridos de abotoamento duplo, casaquetos com mangas bufantes, jaquetas com gola de blazer ou padre acompanhados de quatro bolsos evidentes e pantalonas com pregas no cós com estrutura de alfaiataria. Entre as peças de festa há curtos e longos cobertos por bordados ou franzidos; outros recebem aplicações de plumas e brincam com o efeito de transparência dos tecidos de seda. Uma elegância que traz os códigos da maison francesa de forma renovada, proposta que Virginie já apresentou no seu desfile de Cruise, que aconteceu em maio.

Com uma explosão de estampas e plumas, Clare Waight Keller mostrou um equilíbrio entre as peças coloridas e as versões em black and white para a Givenchy. Os vestidos longos e mídi eram tomara-que-caia, com decote careca ou estrutura turtle neck. Já as blusas tinham modelagem peplum e cauda em visuais que traziam calças alfaiataria de shape mais seco. Uma das estrelas do show foi a capa com V neck com floral amplo.

Cores, transparências, silhuetas marcantes e estampas foram as apostas de Pierpaolo Piccioli para o Fall 2020 da Valentino. Além da maquiagem impactante, assinada por Pat McGrath, o desfile trouxe uma série de contrastes e trabalhos manuais de encantar qualquer fashionista. Na cabeça, os acessórios são adornados com flores. Já as roupas trazem laços maximizados aplicados no decote, mangas e cintura, saias longas de tafetá e muito volume distribuído, às vezes, por toda a peça. A cartela de tonalidades contou com opções vibrantes, pastel e com fundo neutro – claro, sempre acompanhados de desenhos florais alegres.

 

Uma infinidade de criações que faz da temporada um estímulo para sonhar. Cada grife apresentou sua coleção de forma suntuosa, brincando com a imaginação dos convidados que, sejam clientes, influencers ou imprensa. E o mais incrível é pensar que há verdadeiros artesãos envolvidos no processo de desenvolvimento de costura, modelagem, bordados, aplicações e acessórios.



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3 TRENDS: FALL 2020 HAUTE COUTURE

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A semana de moda mais luxuosa e disputada do calendário fashion acaba de chegar ao fim. E, para a temporada de Fall 2020 de Alta Costura, mais uma vez, as marcas trouxeram uma série de criações encantadoras e cheias de elegância. Entre as apostas da vez, as grifes apresentaram seu savoir faire aliado a estéticas que vão desde as volumosas e pomposas às curtas e mais sequinhas, dando destaque para aplicações ou tonalidades marcantes e vibrantes.

Entre o detalhe queridinho das fashionistas estão as plumas que, mesmo estando presente há tempos nas passarelas de Couture, receberam um tom de modernidade e frescor nos shows de prêt-à-porter. Entre as propostas monocromáticas, duas versões que mostram bem como a combinação de texturas diferentes pode ser transformador. Enquanto Maria Grazia Chiuri cobriu a saia do vestido com plumagens para a coleção da Dior, a estilista da Chanel, Virginie Viard, concentrou o material apenas na barra, brincando com alguns fios de cor branca para dar mais impacto e evidência a esta parte da peça. Já na Givenchy, o mix de black and white surgiu com força em uma estrutura que traz camadas compostas por plumas e pelos.

O plissado, que é considerado um dos grandes clássicos da Alta Costura, deu o ar da graça de forma suntuosa. Um dos pontos em comum? O volume! Na Valentino, o diretor criativo Pierpaolo Piccioli investiu na construção de um evening dress (digno de red carpet) que mistura top com pequenos plissados em camadas e franzido, remetendo ao formato de uma flor, e saia longa. Para a passarela, Iris van Herpen investiu no vestido full gold, com direito a recortes estratégicos no decote e modelagem que lembra os shapes 3D tão característicos da marca. Já a Chanel desfilou um modelo com caimento menos armado e mais líquido.

Para dar o toque de vibração na cartela da estação, o púrpura ganha a cena em looks cheios de elegância. Claro, cada um dentro da sua proposta. Na Zuhair Murad, o match de sobreposições contou com transparências e bordados que deram uma pitada de sensualidade e sofisticação de um jeito superfeminino e cool na mesma medida. Com a regra “go big or go home”, a Valentino propôs maxibabados e laço amplo amarrado na cintura que entraram em uma sintonia poderosa com a cor. Para a Chanel, a jaqueta de tweed apareceu em novo shape, desta vez, como vestido na tonalidade violácea + preto e branco.

 



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Sais inorgânicos

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Sais inorgânicos são compostos químicos formados pela ligação iônica de cátions (formado por um metal ou pelo íon amônio (NH4+)) e ânions. A fórmula molecular pode ser representada genericamente por XY, onde X representa o cátion e Y o ânion. Em meio aquoso os sais se dissociam liberando os cátions e os anions:

XY + H2O → X+ + Y-

Os sais são obtidos a partir da reação química entre um ácido (orgânico ou inorgânico) e uma base. Essa reação recebe o nome de neutralização, e além do sal, tem-se a formação de água.

Ácido + Base → Sal + Água

CH3–COOH + NaOH → CH3–COONa + H2O

HCl + NaOH → NaCl + H2O

Esses compostos são sólidos em temperatura ambiente, e apresentam elevados pontos de fusão e ebulição. De maneira geral são solúveis em água e quando estão dissolvidos são ótimos condutores. Entretanto existem sais insolúveis também.

Em função do seu comportamento nas reações químicas, podem ser classificados em sais neutros, ácidos, básicos, mistos e hidratados. A seguir vamos aprender as características de cada um desses tipos de sais.

Classificação dos sais inorgânicos

Sal neutro: é formado a partir de uma reação de neutralização total, ou seja, todos os íons H3O+ são neutralizados pelas hidroxilas (OH-) presentes na solução. Ocorrem entre um ácido forte e uma base forte e a solução aquosa do sal formado tem um pH neutro.

2HF + Ca(OH)2 → CaF2 + 2H2O

Outros exemplos: CaSO4, NH4CO3 ,KBr, NaCl, KCN, Cu2SO4, Na2CO3.

Sal ácido: é formado a partir de uma reação de neutralização parcial, onde nem todos os íons H3O+ são neutralizados pelas hidroxilas (OH-) presentes na solução. Ocorrem entre um ácido forte e uma base fraca e a solução aquosa do sal formado tem um pH menor que 7. São conhecidos também como sal hidrogenado ou hidrogeno-sal.

HCl + NH4OH →NH4Cl + H2O

Outros exemplos: NaHSO4, NaHCO3 , CaHBO3

Sal básico: é formado a partir de uma reação de neutralização parcial, onde nem todos os íons OH- são neutralizados pelos H3O+ presentes na solução. Ocorrem entre um ácido fraco e uma base forte e a solução aquosa do sal formado tem um pH maior que 7. São conhecidos também como sal hidroxilado.

CH3-COOH+ NaOH → CH3COONa+ H2O

Outros exemplos: MgOHCl, Al(OH)2ClO3, Al(OH)Cl2, Ca(OH)F

Sal misto: É formado por 2 cátions (exceto o H+) e um ânion, ou um cátion e dois ânions (exceto OH-).

Exemplos: TiPO4CN, AgFeBO3, TiPO4C, NaKSO4.

Sal hidratado: tem moléculas de água incorporadas ao seu retículo cristalino.

Exemplos: CaCl2.2H2O, CuSO4.6H2O, CuSO4.5H2O

Um tipo específico de sal hidratado é o sal alúmen, que é formado por dois anions sulfato, com cátions que tem número de oxidação +1 e +3, além de 24 moléculas de água.

Exemplos: Ag2SO4.Al2(SO4)3.24H2O, Na2SO4.Sb2(SO4)3.24H2O

Nomenclatura dos sais inorgânicos

Em relação à nomenclatura dos sais, a regra geral é bem simples, entretanto é preciso conhecer os nomes dos cátions e anions, ou consultar uma tabela:

Nome do anion + de + nome do cátion

Essa regra pode ser seguida a risca para compostos contendo metais com NOX fixo, como prata, o zinco ou um elemento que pertença às famílias 1A, 2A, e 3A.

Vamos ver alguns exemplos:

  • NaNO3: aqui temos o cátion sódio (Na+) e o ânion nitrato (NO3-), dessa forma o nome do sal é nitrato de sódio.
  • K3PO4 : aqui temos cátion potássio (K+1) e o ânion fosfato (PO4-3) dessa forma o nome do sal é fosfato de potássio.

Existem casos em que o cátion tem nox variável, então é preciso deixar isso claro no nome. Vamos ver caso do elemento químico ferro, ele tem estados de oxidação de +2 a +6, sendo os mais comuns os +2 e +3, dessa forma na hora de dar o nome para o elemento é preciso informar a qual sal de ferro esta se referindo:

  • Fe2(SO4)3: Nesse sal, o nox do ferro é +3, e o ânion é o sulfato, forma o nome fica sulfato de ferro III.
  • FeSO4: Nessa composto o nox de ferro é +2, e anion é sulfato isso o nome fica sulfato de ferro II.

Essa diferenciação no nome é importante, pois se chamássemos o sal apenas de sulfato de ferro, estaria incorreto. Uma dica para saber o estado de oxidação do ferro é observar o subscrito ao lado do parentes onde está o anion, no primeiro caso o subscrito é 3, por isso o nox de ferro é 3. Outra maneira de descobrir o nox é somando a carga dos anions e cátions, que deve da zero, pois o sal é neutro. Por exemplo para o composto FeSO4, pesquisando em um tabela de anions veremos que o sulfato tem carga 2- (SO42-). Então você chama a carga do Fe de x, soma com a carga do anion e iguala a zero:

x +(-2) = 0

x - 2 = 0

x=2

Ainda em relação a nomenclatura existem alguns detalhes a observar casos abaixo, e para isso veremos alguns exemplos.

Hidrogeno-sais: antes do nome do anion, é preciso colocar o prefixo referente a quantidade de hidrogênio presente.

  • NaHCO3: mono-hidrogeno-carbonato de sódio.

Sal hidroxilado: antes do nome do ânion, é preciso colocar o prefixo referente a quantidade de hidroxilas presentes, seguindo do prefixo hidroxi.

  • Al(OH)2ClO3: di-hidróxi-clorato de alumínio

Ainda tem a opção de incluir o prefixo monobásico entre o nome do cátion e do ânion.

  •  Ca(OH)F: fluoreto monobásico de cálcio
  •  Al(OH)Cl2 : cloreto monobásico de alumínio

Sal hidratado: após o nome do cátion, é preciso indicar a quantidade de moléculas de água presente.

  •  CaCl2 . 2H2O: cloreto de cálcio di-hidratado.

Sal duplo: temos 2 casos possíveis, os sais com 2 cátions e 1 anion ou 2 anions e 1 cátion. No caso de 2 cátions, é preciso escrever a palavra duplo depois do anion. A ordem descrita no nome dos cátions é começando pelo mais eletropositivo.

  •  AgFeBO3: borato (duplo) de prata e ferro II.

No caso de 2 anions é preciso seguir a sequência:

nome do ânion mais eletronegativo + nome do ânion menos eletronegativo + de + nome do cátion

  •  TiPO4CN: fosfato-cianeto de titânio IV.

Os sais também podem ser classificados em relação ao número de diferentes elementos presentes em sua formula molecular. Podemos ter sais binários (NaCl, KI), ternários (KNO2, Al2(SO4)3), quaternários (NaHCO3, Na2HPO4) e assim por diante. Vale ressaltar que não é avaliado o número total de elementos químico, e sim o número de elementos químicos diferentes. Por isso embora o sal CuSO4 tenha no total 1 Cu+ 1S+ 4O, ele é ternário, pois cada elemento é contado apenas 1 vez.

Uma propriedade importante dos sais é a sua solubilidade, e ela vai variar de acordo com os anions e cátions que constituem os mesmos. A seguir temos uma tabela resumindo as solubilidades dos sais:

Solubilidade em água
Solúveis (regra) Insolúveis (exceção) Insolúveis
(regra)
Solúveis
(exceção)
Nitratos (NO3-)

Acetatos (CH3-COO-)

--------------- Sulfetos (S2-) Grupos 1,2 e NH4+
Cloretos (Cl-)

Brometos (Br-)

Iodetos (I-)

Ag+, Pb2+, Hg22+ Carbonatos (CO32-) Grupo 1 e NH4+
Sulfatos (SO42-) Ca2+, Sr2+ Ba2+, Pb2+ Fosfatos (PO43-) Grupo 1 e NH4+

Entre os sais mais importantes e suas aplicações podemos citar os descritos as seguir:

Sal Aplicações
Cloreto de Sódio (NaCl) Sal de cozinha

Soro fisiológico

Soro Caseiro

Produção de Gás Cloro (Cl2) e hipoclorito de sódio (NaClO):

2 NaCl + 2 H2O → 2 NaOH + H2 + Cl2

Carbonato de sódio (Na2CO3) Produção de vidro

Produção de corantes

Tratamento de piscina

Produção de sabão e detergente, papel celulose, indústrias têxteis e siderúrgicas.

Bicarbonato de sódio (NaHCO3) Antiácidos

Fermento de bolo

Extintor de incêndio

Cremes dentais

Carbonato de cálcio (CaCO3) produção de vidro

Cimentos

Nitrato de sódio (NaNO3) Fertilizantes

Pólvora

Carnes enlatadas

Fluoreto de Sódio (NaF) Cremes dentais
Fosfato de Cálcio (Ca3(PO4)2) Fabricação de fertilizantes fosfatados
Hipoclorito de sódio (NaClO) Bactericida

Alvejante

Nitrato de Amônio (NH4NO3) Explosivos

Referencias:

Atkins, P. W.; Jones, Loretta . Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente, volume único. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

Kotz, J. C. Química Geral e Reações Químicas. Volume 1, 9ª edição, Cengage Learning, 2015.

Tito e Canto. Química na Abordagem do Cotidiano. Volume único, parte A – Química Geral e Inorgânica. Editora Saraiva 2005.

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Hidrólise

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A hidrólise é a quebra de uma molécula pela ação da água. A molécula de água libera para a solução íons H+ e OH- e quando uma molécula é quebrada um hidrogênio da molécula de água é transferido para um dos fragmentos dessa molécula, e a hidroxila para outro, com isso formando novos compostos.

XY + H2O → HY + XOH

Essa ação da água não acontece sozinha, para isso são necessárias pressão e temperatura elevada. Além disso, para aumentar a velocidade deve-se utilizar um agente acelerador, um catalisador, sendo que os mais importantes são ácidos, enzimas e álcalis.

A hidrólise tem aplicações tanto em reações orgânicas quanto inorgânicas. De maneira geral podemos destacar as reações de saponificação de ácidos graxos, inversão de açúcar, preparação de álcoois e ácidos a partir de ésteres, hidrólises de produtos naturais como amidos, glicosídeos, proteínas.

É importante ressaltar que não se deve confundir o processo de hidrólise com a desidratação, já que no primeiro a quebra da ligação na molécula se dá pela presença da água, enquanto que no segundo processo ocorre a formação de moléculas de água. A hidrólise pode ser do tipo alcalina, ácida, salina ou enzimática.

A hidrólise alcalina ou básica ocorre na presença de uma base em solução aquosa, podendo ser diluída ou concentrada. A base é utilizada no lugar da água, pois libera OH- e ao final reação têm-se como produtos um sal e um ácido. Dentre as aplicações da hidrólise básica estão às reações de formação de ésteres, hidrólise de amostras de sedimentos, digestão de materiais orgânicos utilizando os hidróxidos de potássio (KOH) ou sódio (NaOH) e reação de despolimerização da garrafa PET.

A hidrólise ácida ocorre na presença de um ácido mineral em solução aquosa, podendo ser diluída ou concentrada. Os principais ácidos utilizados são o ácido sulfúrico (H2SO4) e o ácido clorídrico (HCl), porém podem ser utilizados também em alguns casos o ácido nítrico (HNO3) e fosfórico (H3PO4). Dentre as aplicações da hidrólise ácida estão às reações que envolvem ésteres, amidas e açucares. Um exemplo prático é a descromagem ácida, que consiste na remoção de cromo presente em resíduos de couro antes do descarte evitando a contaminação de solos ou dos lençóis freáticos.

A hidrólise enzimática ocorre na presença de enzimas, que funcionam como catalisadores, aumentando a velocidades das reações, pois promove a diminuição da energia de ativação (energia necessária para iniciar a reação). Quando comparando com as hidrólises ácida e básica apresenta vantagem de ser especifica, ter controle do grau de hidrolise, condições de reação mais moderadas, menores concentrações de reagentes. Alguns exemplos de aplicação são na quebra de proteínas (proteases, que auxiliam na quebra das ligações peptídicas), hidrólise de óleos e gorduras, (lípases, quebra moléculas de lipídeos em colesterol, ácidos graxos e glicerol), digestão de carboidratos (sacarase, quebra a sacarose em glicose e frutose) e hidrólise enzimática de biomassa para produção de etanol.

A hidrólise salina é definida como a reação entre molécula de um sal e água.

YX(s) + H2O(l) ↔ Y(aq)+ + X(aq)-

Os íons que formam o sal, quando reagem com a água que tem caráter anfótero, podem resultar em uma solução ácida, básica ou neutra.

Formação de uma solução de caráter ácido:

H+ + H2O ↔ HOH + H+

Formação de uma solução de caráter básico:

OH- + H2O ↔ HOH + OH-

Os ácidos ou bases formados são de caráter moderado ou fraco. É possível calcular o grau (α) e a constante de uma hidrólise (Kh) conforme descrito a seguir:

Onde Kw = constante de dissociação da água e Ka = constante de dissociação do ácido.

Entre as aplicações da hidrólise salina podemos destacar o tratamento de águas, e análises quantitativas diversas utilizadas em laboratórios de pesquisa e indústrias.

Referencias

Bente, V. L. I. Hidrólise básica de resíduos poliméricos de PET pós consumo e degradação catalítica dos monômeros de partida. Dissertação, Universidade Federal do Amazonas, 2008.

Fatibello-Filho, O.; Wolf, L. D; Assumpção, M. H. M.T.; Leite, O. L. Experimento Simples e Rápido Ilustrando a hidrólise de sais. Química Nova na Escola n. 24, novembro, 2006.

Hijazin , C.A. H; Simões, A. T..Hidrólise ácida, alcalina e enzimática Silveira. R. D.Revista Atitude - Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre • Ano IV • Número 7, Janeiro - Junho de 2010.

Jumelice dos S. SilvaI; Valéria R. dos S. Malta; Martha S. R. dos Santos-Rocha; Renata M. R. G. Almeida; Márcia A. Gomes; Cecília D. Vicente; Kledson L. Barbosa. Hidrólise enzimática, fermentação e produção de biocombustíveis através da coroa de Ananas comosus.Química Nova, Vol. 41, No. 10, 1127-1131, 2018.

Kotz, J. C. Química Geral e Reações Químicas. Volume 2, 9ª edição, Cengage Learning, 2015.

Tito e Canto. Química na Abordagem do Cotidiano. Volume único, partes A e C – Química Orgânica. Editora Saraiva 2005.

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